Diariamente, uma média de 20 pacientes aguardam vagas para internação nos hospitais de Bauru, enquanto recebem assistência média nos corredores do Pronto-Socorro Central (PSC) do Município. A situação caótica, principalmente para aqueles que agonizam sobre as macas, pode piorar muito após o início da reforma no PS, prevista para começar em no máximo dez dias.
Hoje, o PSC conta com três enfermarias, que dispõem de cinco leitos cada uma, e uma sala para casos de emergência, com duas camas. Como o número de acomodações é insuficiente, no mínimo metade dos pacientes que procuram assistência médica no local é atendida entre as passagens de salas.
Quando as obras tiverem início e o atendimento for transferido para o prédio onde atuamente funciona o Pronto Antendimento Infantil (PAI), uma enfermaria será desativada e os corredores não terão como receber mais de quatro pacientes.
A situação preocupa porque muitos daqueles que padecem no Pronto-Socorro deviriam estar internados, recebendo tratamento adequado. Assim, a assistência médica oferecida pela administração municipal, que deveria levar cerca de duas horas, está sendo prolongada por até seis dias.
“Como não conseguimos deslocar os pacientes para os hospitais, acabamos tratando de casos que exigem cuidados específicos. Nestas condições podemos até perder gente. Convivemos com esse fantasmaâ€, explica o médico Felinto dos Santos Neto, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde.
Felinto explica que, além das preocupações com o quadro médico destes pacientes que aguardam internação em local inadequado, a situação se agrava porque eles acabam vivendo momentos constrangedores. Uns chegam a fazer necessidades físicas em público, por exemplo. Para ele, o contexto é desumano.
O médico informou que na tentativa de resolver o impasse da transferência de pacientes, foi realizada uma reunião, há 15 dias, na entre a Secretaria Municipal de Saúde, a Direção Regional de Saúde (DIR-10) e a Associação Hospitalar de Bauru (ABH). Na oportunidade, o diretor da DIR-10, Affonso Viviani Júnior, ficou de conseguir o remanejamento de pacientes para instituições hospitalares da região, o que não aconteceu.
“Como a Central de Vagas da DIR-10, responsável pela acomodação dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), não tem obtido sucesso na busca por leitos, temos pacientes que chegam a receber alta após dias de tratamento aqui no PS. Por essa razão, precisamos deslocar um especialista para cuidar destes casos. Este profissional poderia estar fazendo outro tipo de atendimentoâ€, queixa-se Felinto.
O diretor da DIR-10, Affonso Viviani, não retornou às ligações do jornal
Ministério Público
A vereadora Maria Majô Jandreice (PC do B) ameaça acionar o Ministério Público Estadual caso a DIR-10 não encontre uma solução para a crise provocada pela falta de leitos.
Segundo ela, a situação está tão complicada no PSC, que ela teme possíveis mortes devido ao atendimento médico inadequado. “O SUS pode pode pecar por omissão de socorro. O Estado terá de resolver a situação, mesmo que seja acomodando pacientes em hospitais particularesâ€, cobra.
Hoje, Majô participa de uma reunião com a Secretária Municipal de Saúde, no PS, para discutir uma saída para o problema. Para tanto, ela iria se informar sobre todos os artigos previstos na legislação que garante atendimento digno aos pacientes.
Mas apesar das dificuldades, respeito não faltou no atendidmento prestado no PS ao aposentado João Miguel da Silva, 92 anos. Ele chegou há cinco dias urinando sangue, e ainda aguarda a internação. “Fui muito bem tratado, parei de sangrar e por mim já poderia voltar para casaâ€, explica, enquanto aguarda seu diagnóstico.
Entretanto, uma outra paciente, Helena Pinto Magalhães, que também aguardava uma vaga não compartilha da mesma opinião. Seu quadro de saúde sofreu uma leve piora, depois que presenciou, no corredor, a chegada de uma paciente ensangüentado. “O governo precisa resolver issoâ€, cobra a filha dela, Vanderleia de Magalhães Barcellos.