Bairros

Adaptação tumultua busca por leitos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

As adequações entre a Direção Regional de Saúde (DIR-10) e o Pronto-Socorro Central (PSC) dificultaram a internação de pacientes nos hospitais de Bauru e região. Essa foi a informação transmitida ontem pelo diretor da DIR-10, Affonso Viviani Júnior, em resposta às dificuldades enfrentadas pela Secretaria Municipal de Saúde na busca por leitos para pacientes acomodados nos corredores do PS, situação retratada em matéria publicada pelo JC.

Ontem, a Central Reguladora de Vagas (CRV), órgão ligado à DIR-10, já havia conseguido 30 acomodações num hospital de Jaú para pessoas que estão sendo tratadas em condições inadequadas no PS. A demanda local é, em média, de 20 pacientes por dia.

“Não remanejamos antes os necessitados para a região, porque a CRV não havia recebido solicitações. O primeiro comunicado chegou às 17h30 de ontem (anteontem)”, explicou Viviani.

A Central Reguladora de Vagas tem como incumbência identificar leitos em hospitais da região para casos que não conseguem atendimento no município de origem. Contudo, o PS de Bauru era o único órgão de saúde pública da região que não precisava recorrer à CRV, pois faz contato direto com a Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade gestora do Hospital de Base, Maternidade Santa Isabel e Hospital Manoel de Abreu.

Entretanto, devido à reforma prevista para ter início em no máximo dez dias, a assistência médica do PS será transferida para onde funciona hoje o Pronto Atendimento Infantil (PAI). Quando a mudança for implementada, uma das enfermarias do PS será desativada e não haverá mais corredores para a acomodação de pacientes.

Por essa razão, no último dia 21, Viviani aproveitou uma reunião rotineira realizada com os secretários de saúde municipais da região para apresentar o apuro que Bauru deveria enfrentar a partir do início das obras. “Diante da iminente redução de vagas, todos os municípios acenaram com a possibilidade de nos ajudar, mas não foram contados porque a própria central não foi notificada pelo município”, ressalta o diretor da DIR-10.

Há 15 dias, uma outra reunião foi realizada para que o contato entre o PS de Bauru e a CRV fosse afinado, mas não foi o que aconteceu. A central dispõe de um médico plantonista que analisa junto com o médico solicitante o caso a ser encaminhado para internações em hospitais. Desta maneira, o atendimento buscado na região tende a ser mais especializado. Mas, na opinião de Viviani, em função da correria cotidiana, o Pronto-Socorro não dispunha de profissionais que fizessem essa intermediação.

“Para resolver o impasse, propusemos um impresso. Assim, através de seu preenchimento, a secretaria municipal de Saúde já pode reivindicar vagas. Foi uma maneira encontrada para facilitar as coisas”, explica o representante do Estado.

Quando o atendimento em Bauru não for suficiente, a DIR-10 buscará assistência médica em hospitais de Pederneiras, Agudos, Macatuba, Lençóis Paulista, Jaú, Piratininga, entre outros 33 municípios sob a jurisdição da diretoria. As vagas disponíveis ontem foram oferecidas pelo Hospital São Judas Tadeu, de Jaú, mas outras instituições de saúde também se disponibilizaram a receber casos de Bauru, como uma entidade de Agudos.

“Também fiz uma consulta a quatro hospitais privados do município para saber do interesse deles em fazer convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). As respostas foram positivas. Amanhã (hoje) os jornais vão veicular uma convocação pública, realizada em caráter urgente e excepcional. Tomamos esta iniciativa porque para muitas famílias visitar o paciente em outra cidade será uma complicação”, complementa.

Embora leitos estejam disponíveis na região, dependendo da situação do paciente, a transferência não é garantida. Casos de Unidade Intensiva de Tratamento (UTI), por exemplo, não podem ser remanejados para hospitais que não disponham de recursos para esta finalidade.

Para concluir, o diretor da DIR-10 enfatizou que o órgão não está ausente do problema e que tem se empenhado para auxiliar o município no que for preciso, contudo, sutilmente deixou escapar que não vai admitir transferência de responsabilidades, como a direção do PS teria feito em matéria publicada pelo JC.

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