A polêmica sobre o preço da gasolina em Bauru, que motivou o Ministério Público Federal (MPF) a abrir investigação sobre a prática de cartel e dumping por parte das distribuidoras, agora produz um fato curioso: o litro de gasolina comum pode ser encontrado por R$ 1,449 em um posto na avenida Rodrigues Alves e, atravessando a rua, a menos de 20 metros de distância, outro estabelecimento vende o mesmo combustível a R$ 1,759 o litro.
Em toda a cidade, é possível encontrar postos vendendo gasolina também a preços díspares, sendo o mais baixo por volta de R$ 1,45 e o máximo em torno de R$ 1,76, em números redondos, mas também há estabelecimentos cobrando preços intermediários, como R$ 1,58.
Para o consumidor, a livre concorrência entre os comerciantes é muito bem-vinda, pois resulta em gasolina oferecida a preços mais baixos. Por outro lado, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Sebastião Homero Gomes, afirma que a concorrência não é tão “livre†assim.
Segundo conta, as grandes distribuidoras fazem promoções por períodos indeterminados aos donos de postos, mas impõem um preço de venda ao consumidor. No caso, a gasolina, que normalmente é distribuída a R$ 1,54, está chegando aos postos por cerca de R$ 1,38.
“A companhia faz um preço mais acessível, mas ele (o comerciante) tem que abrir mão de, praticamente, 70% da margem de lucroâ€, diz Homero. E completa: “O comerciante é obrigado a vender por R$ 1,45.â€
De acordo com ele, “praticamente todas as bandeiras†oferecem a promoção. Não aceitá-la significa vender mais caro que o posto vizinho, como ocorre na avenida Rodrigues Alves. “Aí é que está: se ele (o comerciante) também não entra na promoção, a clientela vai emboraâ€, explica o presidente do Sincopetro.
Segundo Homero, essa é uma das estratégias do setor. “O comerciante dança conforme a música. Não é o posto que exploraâ€, declara.
Menor do Brasil
O empresário Edvaldo Tuschi, proprietário do posto que vende gasolina a R$ 1,449, vizinho de um que cobra mais caro, declara que o consumidor está satisfeito com a promoção, que, segundo afirma, permite que o preço do combustível em Bauru seja o menor do Brasil. “A curto prazo está sendo bom. O consumidor está conseguindo comprar gasolina de boa procedência, de qualidade, por um preço que é o menor que existente no Paísâ€, diz.
Tuschi revela, no entanto, que a situação para ele está “complicadaâ€, apesar de registrar aumento de 25% no movimento. Isso porque sua margem bruta de lucro diminuiu de R$ 0,22 para R$ 0,07. “O movimento, para que essa margem compensasse, precisaria, pelo menos, triplicar. A margem nossa era de R$ 0,22, agora está R$ 0,07. E não vai triplicar porque em Bauru não há demanda para issoâ€, argumenta.
No posto em frente, que está comercializando o litro de gasolina R$ 0,31 mais caro, o movimento de consumidores está se restringindo apenas às bombas de álcool, que está com preço considerado normal.
O proprietário do estabelecimento preferiu não se pronunciar sobre o assunto, mas um funcionário, que não quis se identificar, acredita que o movimento do posto teve queda de cerca de 50%.
Consumidor
Na opinião dos consumidores, o que importa é abastecer o carro e pagar menos. A queda no preço da gasolina em alguns postos, mesmo ao custo de margens menores para os comerciantes, agradou os motoristas.
“Excelente. Para o consumidor é a melhor coisa que tem. Como está tudo caro, precisamos ter um desconto para, pelo menos, manter o carro a gasolinaâ€, declara o comerciante José Carlos Crepaldi, 42 anos.
Quanto ao preço de R$ 1,45 por litro, ele faz um cálculo simples para comemorar a queda. “Se você pagava R$ 1,70, é uma economia boa: são R$ 0,20 por litro de gasolinaâ€, observa.
O eletricitário aposentado Pedro Roberto Pereira Rosa, 52 anos, afirma que, quando o preço é menor, é esta sua “preferênciaâ€. “O consumidor tem que procurar o mais baratoâ€, diz. Contudo, ele acrescenta que o combustível deveria ser mais barato: “Afinal, quanto mais baixo o preço, melhor.â€