Política

45 mil bauruenses votam não à Alca

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O comitê regional que realizou o plebiscito sobre o acordo para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) contabilizou 66.029 votos até ontem à tarde. Os organizadores apuraram que 45.841 votos contra a assinatura do acordo foram registrados em Bauru. O número corresponde à contabilização de 82% de todos os votos. O resultado final será conhecido amanhã.

A votação de mais de 45 mil pessoas em Bauru foi considerada muito boa pelo comitê organizador. O número é três vezes maior que os coletados no plebiscito que verificou a opinião popular em relação ao não-pagamento da dívida externa. Em Bauru, foram registrados 15 mil votos sobre a dívida no início deste ano.

Na opinião do comitê regional, o plebiscito conseguiu chamar a atenção das pessoas para o significado do acordo comercial proposto pelos Estados Unidos aos países da América Latina. “Nossa avaliação é que as ações realizadas para convocar a população a se manifestar deram certo”, cita Eliane Koti representante da região na organização estadual do plebiscito.

A expectativa é que pelo menos 50 mil bauruenses tenham apresentado voto contrário a Alca. Em Bauru, os organizadores informam que 23.341 votos foram coletados nas entidades que participaram do plebiscito e outros 22.500 nas igrejas católicas. A diocese da região computou 29.488 cédulas.

Em relação aos quesitos do plebiscito, a cédula trouxe três perguntas. A primeira foi se o Brasil deveria ou não assinar o acordo comercial - 99,5% das pessoas disseram não e 0,5% sim.

A pergunta seguinte foi se o País deveria ou não continuar negociando com os EUA a Alca - 98,2% disseram não e 1,8% sim. “Verificamos que esse percentual um pouco maior de votos sim se deu nas urnas de regiões onde o poder aquisitivo é mais elevado”, menciona Koti.

A terceira e última questão foi se o governo brasileiro deve ou não entregar a área territorial localizada no Estado do Maranhão para a ocupação por uma base militar americana. Cerca de 99% votos apurados foram contrários. “Esse percentual tem se registrado em todas as regiões do Estado. O resultado final vai ficar muito parecido com o que já estamos divulgando”, avalia Koti.

Colonização

A previsão é que sejam coletados 1 milhão de votos somente no Estado de São Paulo. A organização avalia que a participação popular foi maior neste plebiscito do que na votação sobre a dívida externa em função da ampla discussão popular sobre o tema.

“Os sindicatos e entidades que participaram desse movimento ampliaram as campanhas anteriores ao plebiscito para divulgar o que estava acontecendo. Também consideramos que o evento próximo do período eleitoral trouxe maior apelo”, aborda.

O comitê regional cobriu 49 cidades. O Estado foi dividido em 18 macroregiões no plebiscito. Em Bauru, o movimento contou com a participação dos sindicatos dos Bancários, Metalúrgicos, Eletriciários, Ferroviários, Professores Estaduais (Apeoesp), Servidores Municipais (Sinserm) e dos Derivados de Petróleo. A campanha difundiu um slogan paralelo de combate ao acordo: Área de Livre Colonização das Américas.

Além disso, estiveram na campanha a Diocese de Bauru, Pastoral da Terra, Conselho Regional de Assistência Social, Associação dos Docentes da Unesp, União da Juventude Socialista, União Municipal dos Estudantes Secundaristas, Central Única dos Trabalhadores (CUT), PC do B, PSTU e estudantes do núcleo de comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O plebiscito foi realizado entre os dia 1 e 7 de setembro na cidade. A população votou em um ponto fixo na quadra 6 do Calçadão da Batista de Carvalho, nas sedes das entidades participantes, escolas e igrejas católicas. O trabalho pelo plebiscito foi iniciado em março deste ano. A campanha foi fechada com um ato de protesto contra a Alca no desfile de 7 de setembro, no último sábado, no Sambódromo.

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