São Manuel - A preocupação do PMDB paulista em lançar candidato próprio ao governo do Estado, nas eleições deste ano, pode trazer prejuízos ao partido. A análise é do deputado federal Milton Monti (PSDB), de São Manuel. Mesmo sendo um dos maiores defensores da candidatura própria do partido, Monti acredita que o momento não era o mais adequado para isso.
O pouco tempo para trabalhar essa candidatura teria sido decisivo para o desempenho pífio do candidato Lamartine Posella nas pesquisas eleitorais.
“Ter candidato simplesmente pelo fato de ter, sem ser competitivo, é ruim para o PMDB. Uma aliança poderia fortalecer muito mais o partido do que uma derrota acachapanteâ€, declarou Monti.
Para o deputado, o partido tinha que ter se preparado para a eleição pelo menos um ano antes.
“Pelo pouco tempo que nós tivemos para trabalhar a candidatura própria do partido, dificilmente nós teríamos um nome que pudesse alcançar grande crescimento nas pesquisas eleitorais e conseguir penetrar na opinião pública, a ponto de se tornar um candidato competitivoâ€, analisou Monti. Na opinião dele, em “apenas 60 dias†é impossível conseguir isso.
A meta principal de um partido político, afirmou Monti, é ter candidato próprio. Mas em um determinado momento, segundo ele, pode ser muito mais proveitoso para o partido participar de uma coligação. “Isso pode reforçar a bancada tanto no Congresso Nacional como na Assembléia Legislativa. É tudo uma questão de estratégiaâ€, disse.
O deputado entende que é preciso conciliar o lançamento da candidatura própria com o momento político pelo qual o partido estaria passando. Segundo ele, essa eleição não seria uma boa hora para a candidatura de Posella.
De acordo com ele, o espaço que o candidato tem hoje no horário eleitoral gratuito estaria servindo apenas para alavancar a candidatura de Orestes Quércia ao Senado.
“Trata-se de uma candidatura que não é para valer. Assim como não era para valer a candidatura do Fernando Moraisâ€, afirmou o deputado.
“O partido tinha que ter se preparado há um ano, como isso não foi feito quem quer que fosse o escolhido (para disputar o governo do Estado) iria acontecer isso (fraco desempenho nas pesquisas)â€, disse Monti.
De acordo com pesquisa divulgada anteontem pelo Datafolha, Lamartine Posella está com 1% da intenção de votos - o mesmo índice alcançado pelo seu antecessor Fernando Morais, que renunciou em 20 de agosto.
Ele alegou que não aceitaria ceder parte do espaço de seus programas no horário eleitoral gratuito, como queria o partido, para privilegiar a campanha do ex-governador
Em evidência
Entre os planos futuros do deputado está a disputa pelo comando do governo estadual. Ele não esconde a pretensão de ser governador, mas acredita que “ainda não chegou a horaâ€.
Enquanto espera o momento certo, Monti luta para se manter em evidência e solidificar ainda mais seu trabalho como deputado federal. “Acho que um segundo mandato é importante porque eu vou poder firmar mais o trabalho na região e dentro do partidoâ€, comentou Monti, que está em plena campanha pela reeleição.
Eleito em 1998 com 98 mil votos, Monti vive a expectativa de aumentar sua votação anterior em 30%. Segundo ele, algumas particularidades da eleição deste ano estariam favorecendo sua candidatura.
Para o deputado, a campanha será curta em razão da falta de recursos para a maioria dos candidatos. Na opinião dele, isso favorece quem tem um nome conhecido.
Além disso, a própria configuração política da região, quanto às candidaturas a deputado federal, estaria lhe favorecendo. “Não vejo um nome de grande peso na região que possa se contrapor a minha candidaturaâ€, declarou.
Questionado sobre o ‘segredo’ para uma votação tão expressiva e também para a expectativa de superar a casa dos 100 mil votos, Monti saiu-se com a clássica resposta: “trabalhoâ€.
“Não sou um deputado que bate às portas das cidades às vésperas das eleições. A minha atuação é permanenteâ€, disse o deputado, que tem na extensão do gasoduto Brasil-Bolívia para Bauru e Botucatu, uma de suas principais bandeiras para o desenvolvimento da região.