Política

Majô sonha com Senado mais rosa

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A vereadora Majô Jandreice (PC do B) - suplente do candidato Wagner Gomes (PC do B) ao Senado - defende a necessidade de eleger mais senadoras para contrapor o domínio masculino na instância.

Atualmente, o Senado é composto por 87 membros, dos quais somente cinco são mulheres. Elas representam menos de 5% das cadeiras ocupadas.

Indicada para ocupar a suplência de Gomes na coligação “São Paulo quer Mudança”, a parlamentar está consciente das dificuldades que terá para eleger seu candidato ao Senado.

O PC do B se coligou com o PT, cujo candidato ao Senado é o deputado federal Aloisio Mercadante. Mais conhecido que seu colega do PC do B, mercadante já empata tecnicamente com o Orestes Quércia (PMDB), que também disputa vaga ao Senado.

“O Wagner ainda não tem um nome consolidado, apesar de ser um militante bastante conhecido no meio sindical”, reconhece. Majô, no entanto, destaca que a candidatura de Gomes foi lançada para somar.

A comunista entende que uma candidatura passa por um processo de construção. “Ele é um militante do partido que tem essa possibilidade. É comprometido e sério.”

Dificuldade histórica

Para a vereadora, o número reduzido de mulheres senadoras está intimamente ligado à questão cultural. “As mulheres estão em fase de conquista de espaço dentro do terreno político”, analisa.

Ela diz que a marcha feminina em direção ao Congresso Nacional tem sido lenta. “Mas o salto é grande. Há dez anos, tínhamos pouquíssimas mulheres cumprindo mandato em Brasília.”

Na avaliação dela, há, também, uma clima de refluxo no movimento feminino. “Nas eleições de 1996, as mulheres estavam mais em alta”, lembra.

A parlamentar diz que é importante observar os momentos de crise financeira no País, período em que o interesse da mulher pela política partidária diminui.

“A crise exige mais da mulher. Ela tem que partir para o campo de trabalho ou, então, seus filhos tomam mais o seu tempo. Algimas diminuiram suas jornadas de trabalho; outras aumentaram.”

Majô destaca outro componente que dificulta a ala feminina a disputar mandatos eletivos: o financiamento da campanha. “Não é só a dificuldade política, ter aceitação dentro do partido. É mais fácil os homens conseguirem doações do que as mulheres”, opina.

Ela acha que mesmo com toda essa dificuldade, a mulher tem sido valorizada nesta eleição pelo fato de ter uma pequena vantagem em relação número de eleitores homens.

A comunista observa que dos seis candidatos à Presidência da República, três tentaram articular uma mulher para a função de vice-presidente. Um deles, José Serra (PSDB), tem como companheira de chapa a deputada federal Rita Camata (PMDB-ES).

“Houve uma corrida dos candidatos em busca de uma mulher para ser vice. Eles queriam uma pessoa ao lado para fazer o contraponto da aceitação.”

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