A vereadora Majô Jandreice (PC do B) - suplente do candidato Wagner Gomes (PC do B) ao Senado - defende a necessidade de eleger mais senadoras para contrapor o domínio masculino na instância.
Atualmente, o Senado é composto por 87 membros, dos quais somente cinco são mulheres. Elas representam menos de 5% das cadeiras ocupadas.
Indicada para ocupar a suplência de Gomes na coligação “São Paulo quer Mudançaâ€, a parlamentar está consciente das dificuldades que terá para eleger seu candidato ao Senado.
O PC do B se coligou com o PT, cujo candidato ao Senado é o deputado federal Aloisio Mercadante. Mais conhecido que seu colega do PC do B, mercadante já empata tecnicamente com o Orestes Quércia (PMDB), que também disputa vaga ao Senado.
“O Wagner ainda não tem um nome consolidado, apesar de ser um militante bastante conhecido no meio sindicalâ€, reconhece. Majô, no entanto, destaca que a candidatura de Gomes foi lançada para somar.
A comunista entende que uma candidatura passa por um processo de construção. “Ele é um militante do partido que tem essa possibilidade. É comprometido e sério.â€
Dificuldade histórica
Para a vereadora, o número reduzido de mulheres senadoras está intimamente ligado à questão cultural. “As mulheres estão em fase de conquista de espaço dentro do terreno políticoâ€, analisa.
Ela diz que a marcha feminina em direção ao Congresso Nacional tem sido lenta. “Mas o salto é grande. Há dez anos, tínhamos pouquíssimas mulheres cumprindo mandato em Brasília.â€
Na avaliação dela, há, também, uma clima de refluxo no movimento feminino. “Nas eleições de 1996, as mulheres estavam mais em altaâ€, lembra.
A parlamentar diz que é importante observar os momentos de crise financeira no País, período em que o interesse da mulher pela política partidária diminui.
“A crise exige mais da mulher. Ela tem que partir para o campo de trabalho ou, então, seus filhos tomam mais o seu tempo. Algimas diminuiram suas jornadas de trabalho; outras aumentaram.â€
Majô destaca outro componente que dificulta a ala feminina a disputar mandatos eletivos: o financiamento da campanha. “Não é só a dificuldade política, ter aceitação dentro do partido. É mais fácil os homens conseguirem doações do que as mulheresâ€, opina.
Ela acha que mesmo com toda essa dificuldade, a mulher tem sido valorizada nesta eleição pelo fato de ter uma pequena vantagem em relação número de eleitores homens.
A comunista observa que dos seis candidatos à Presidência da República, três tentaram articular uma mulher para a função de vice-presidente. Um deles, José Serra (PSDB), tem como companheira de chapa a deputada federal Rita Camata (PMDB-ES).
“Houve uma corrida dos candidatos em busca de uma mulher para ser vice. Eles queriam uma pessoa ao lado para fazer o contraponto da aceitação.â€