Daqui a uma semana, no dia 22, domingo, às 13h, no salão de festas da Hípica, acontece o Almoço Retrato de Família. É o encontro anual de antigos moradores de Bauru com muitos que ainda vivem nesta querida cidade. Tradicional e muito significativo é esse encontro que acontece através de um almoço. Há uma indefinível, inexplicável, mas sempre irresistível motivação que nos convoca para esse almoço.
Esse encontro promove e concentra, em algumas horas, rica e animada convivência: a saudade e a reflexão. A amizade, a conversa (fiada e séria), a confidência. As novidades. O olhar de procura entre as 400 pessoas presentes de alguém que nos fale mais de perto de um passado tão distante. É uma confraternização completa, intensa, alegre. E a razão de ser, para mim, desse almoço renovado anualmente com muita emoção, está num passado, vivido em comum nas ruas dessa mesma cidade, que é Bauru. O encontro anual torna presente toda força desse passado.
As pessoas que ali vemos, homens adultos e amadurecidos pela vida, uns mais jovens, outros mais velhos, os pais e avós que lá se reúnem com a família, no final de setembro, esses homens são os meninos, os irrequietos adolescentes cheios de vida e esperança, que, outrora, agitavam as ruas onde moravam, estudavam e passeavam. A força desse passado que se transformou, mas não se perdeu, a força desse passado que mudou, mas não foi tirado, estimula ainda hoje e garante a permanência e assiduidade desse almoço no próximo domingo.
As divergências e vicissitudes que dispersaram muitos dos presentes para novas plagas, para outras cidades, não romperam o vínculo do passado que ainda nos congrega numa grande família nesse almoço. Continuar unidos é o que nos proporciona esse encontro. Encontro de saudade, mas encontro de reflexão e crítica. Julgar o passado com os critérios do presente é fácil (ou difícil). Há valores que o tempo não modifica, há práticas e costumes que o tempo desaprova e condena.
Novas amizades se fazem ou se reforçam mesmo entre antigos ou entre moradores ainda da cidade. No último almoço, no ano passado, tive a satisfação e a honra de conhecer o Antônio Cândido Pupo Oliveira, o Boião, morador antigo de Bauru e sobrinho do inesquecível professor Hélcio Pupo Ribeiro, há pouco falecido. Nesse encontro, o Boião me presenteou com dedicatória e autógrafo, o livro de sua autoria “Crônicas Bauruenses†que traz lembranças de um adolescente bauruense nos anos 40 e 50. Devorei o livro em pouco tempo e recomendo-o aos que viveram nessas décadas.
O encontro, vale a pena participar dele, é uma agradável confraternização com raízes do passado. É um preito de reconhecimento e gratidão aos seus organizadores, principalmente o nosso amigo Luciano Dias Pires que, com sua família, tudo faz, para que o encontro realmente nos proporcione momentos felizes. (Professor Gino Crês - RG: 3.575.799)