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Família luta por energia no Jd. Ivone

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

O sonho da casa própria se tornou um pesadelo para a doméstica Rosemeire Oregana, porque está sem luz. No ano passado, ela adquiriu um terreno na quadra 3 da rua Edvaldo Carvalho, no Jardim Ivone, e construiu um cômodo para acolher a família composta de quatro filhos.

Ela não percebeu que no contrato de compra do imóvel o loteador se eximia de oferecer a infra-estrutura, o que inclui energia elétrica. Há oito meses na nova casa, ela luta para ter energia elétrica.

A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) pediu R$ 980,00 para expandir a rede até a casa de Rosemeire. As dificuldades são muitas. Com quatro crianças, ela conta que os banhos são frios e tem que recorrer a vela para iluminação.

Ela conta que a filha menor já queimou o cabelo com a vela e a mais velha quase incendiou o único cômodo quando tentava acender o lampião. Depois disso, Rosimeire proibiu a menina de mexer com o objeto.

A doméstica garante que não sabia que seu lote não tinha energia. “Na quadra anterior tem energia. Nessa quadra só tem a minha casa. Eu não imaginava que teria que pagar”, lamenta.

Ela procurou o loteador e ficou sabendo que no contrato ele se eximia da responsabilidade. “Procurei a prefeitura e a CPFL. A concessionária de energia pediu R$ 980,00 para expandir a rede. Deram um desconto de R$ 250,00 e eu teria que pagar cerca de R$ 700,00”, conta.

O preço, que pode não parecer muito, significa para a família a renda mensal de dois meses e meio. “Eu ganho R$ 190,00 e meu marido R$ 15,00 por dia como ajudante no Ceasa. Não tenho a mínima condição de pagar essa despesa. Estou pagando a prestação do terreno, R$ 108,00 por mês”, diz.

Não há obrigação

A CPFL informou, através de sua assessoria de imprensa, que está analisando o caso de Rosimeire e estudando uma maneira de resolver o problema, mas alerta que não tem obrigação de expandir a rede. Segundo a assessoria, a moradora poderia recorrer à prefeitura. “Podemos ampliar a rede, mas o serviço tem um custo que deve ser assumido pelo morador ou pela prefeitura”, informa a assessoria.

A prefeitura, por sua vez, alega que este caso e outros semelhantes estão num pacote que a municipalidade negocia com a concessionária de energia. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, várias expanções de rede elétrica serão feitas, mas depende das negociações.

A data para execução dos serviços ainda não está definida. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a legislação de 1982 obriga o loteador a oferecer infra-estrutura, incluindo a expanção da rede de energia. “Os loteamentos registrados antes deste período não são obrigados a oferecer a infra-estrutura”, frisa.

Crianças sonham com TV

Taiane tem 2 anos e vive com sua família no único cômodo construído por Rosimeire com muito sacrifício. Ela e seus irmãos enfrentam uma rotina diferente da maioria das crianças de sua idade por falta de energia.

Os programas infantis não são assistidos pelas crianças, que sonham em ver o trabalho da Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Aiame, 11 anos, a irmã mais velha, é quem comanda a casa na ausência dos pais que trabalham fora o dia todo. “Nós ficamos aqui dentro ou no quintal. Não podemos ouvir rádio e nem assistir a televisão. Quando minha mãe demora para chegar do serviço e escurece, nós sentamos no ponto de ônibus para esperá-la”, conta.

Ficar dentro da casa sem energia à noite causa medo às crianças. “Minha mãe proibiu a gente de acender o lampião porque eu quase provoquei um acidente. Minha irmã menor queimou o cabelo com a vela”, conta Aiame.

Ela lembra que a vida sem energia elétrica é muito difícil. “Temos que fazer as tarefas da escola durante o dia. Eu estudo no período da tarde e tenho que dormir logo porque não tem o que fazer à noite”, diz.

A menina de 11 anos estuda e cuida dos três irmãos - Ailton, 9 anos, Laisa, 7 anos e de Taiane, 2 anos. “Quando eu vou para a escola uma vizinha fica com as crianças. Eu mesma esquento a comida para meus irmãos”, conta.

Escuridão traz prejuízos à sorveteria

O proprietário de uma sorveteria localizada na quadra 31 da avenida Rodrigues Alves, João da Silva, diz que pode estar perdendo clientes em função da escuridão da região onde seu comércio está instalado. Desde a semana passada, todos os postes de luz das quadras 31, 32 e 33 não estão funcionando.

“Já tive que fechar a sorveteria mais cedo porque com a falta de iluminação a segurança fica mais vulnerável. A padaria que fica ao lado já foi assaltada duas vezes”, explica.

Como vem sofrendo com a precariedade dos pontos de luz há três meses, registrou uma reclamação na Prefeitura Municipal de Bauru e recorreu à intermediação do vereador José Eduardo Fernandes Ávila (PPB).

“Também fiz contato com a administração municipal e me prometeram restabelecer a iluminação”, informou o legislador.

Em função das denúncias, servidores públicos estiveram no local e trocaram um relé fotossensível, que funciona como um dispositivo para acender automaticamente a luz do poste.

Entretanto, de acordo com o assessor técnico do gabinete do prefeito, João Lima, os funcionários que foram até o local voltaram com a desconfiança de que um curto-circuito nos postes estaria impossibilitando o restabelecimento da iluminação. “Parece que o problema é decorrente de um acidente que envolveu um caminhão, na semana passada. Vamos confirmar o problema”, promete.

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