A Getúlio Vargas é uma das avenidas de Bauru preferidas pelos adeptos das caminhadas. Porém, a prática do exercício torna-se insuportável nos finais de semana, quando todas as tribos resolvem encontrar-se na via. O resultado aparece na segunda-feira, quando a festa acaba e o lixo fica espalhado pelas calçadas e pistas, para moradores e garis recolherem.
Diariamente são coletados cerca de 20 sacos de 100 litros de lixo na avenida, da esquina da rua João Abo Arrage até o final da pista dupla. Garrafas plásticas e de vidro, latas, embalagens dos mais diversos produtos, sapatos, roupas e até preservativos usados são recolhidos na faxina diária.
Ao mesmo tempo que reclamam da quantidade de lixo que fica no point da cidade, moradores e pessoas que passam pela via alegam que não há uma só lixeira. “O brasileiro ainda não tem consciência suficiente para saber que esse lixo vai poluir os rios e joga todo tipo de produto descartável em via públicaâ€, reclama uma moradora que não quis se identificar.
Na opinião dela, a prefeitura deveria fazer uma campanha de conscientização. “Os jovens precisam ser educados para a preservação do meio ambiente. Poderiam fornecer sacolinhas para que o lixo fosse recolhido. Na avenida deveria ter lixeirasâ€, propõe.
Um esportista que usa a avenida para longas caminhadas e que preferiu não se identificar diz que os jovens que se reúnem na via demonstram não ter amadurecimento ao deixar o lixo no chão. “A nova geração não conhece o comportamento das populações mais civilizadas. Na Alemanha, por exemplo, o sujeito que joga lixo na rua é multadoâ€, compara.
Ela reclama que é ruim caminhar numa avenida suja. “Tem garrafas quebradas que oferecem perigo, além de descartáveis que poderiam ser vendido e custear uma campanha. Nem mesmo a prefeitura faz a separação do lixo recolhidoâ€, alfineta.
Na opinião de Fernanda Duarte, que caminha todos os dias pela avenida com sua mãe, Cidinha Duarte, o lixo deixado pelos freqüentadores da Getúlio é uma demonstração de falta de educação e higiene.
Cidinha acha que os jovens não têm respeito com o meio ambiente e nem com as pessoas. “Acho que a avenida deveria ser usada racionalmente. Já vimos até roupas e sapatos jogados. É um absurdoâ€, diz.
Latinha é lucro
As latinhas de refrigerantes e cervejas descartadas pelos jovens que reúnem-se na Getúlio Vargas nos finais de semana fazem a alegria dos catadores de material reciclável na segunda-feira. Tarcísio Inácio Alves, que trabalha como descarregador de tijolos, por exemplo, aproveita a folga da segunda-feira para arrecadar as latinhas e garantir uma renda extra. “Não rende muito. Eles pagam só R$ 2,00 o quilo, mas é alguma coisaâ€, diz.
Ele conta que na segunda-feira costuma coletar latinhas na Getúlio e na Nações Unidas, duas avenidas onde há grande concentração de jovens no final de semana.
A ajudante geral Creusa da Graça Gomes dos Santos é uma das responsáveis pela faxina da Getúlio. Ele varre e uma companheira de trabalho recolhe o lixo deixado no chão. “Todos os dias recolhemos cerca de 20 sacos de lixo de 100 litros cada umâ€, conta.
De acordo com ela, o lixo não é separado. “Tem desde folha de árvore até preservativo usado. Recolhemos tudo, mas no dia seguinte, está tudo sujo de novoâ€, relata.
Lixeiras
A Secretaria do Meio Ambiente (Semma) avisa que dentro de poucos dias deverá ser aberto um processo de licitação para a instalação de mil lixeiras em Bauru. O processo, segundo o titular da pasta, Luiz Pires, deve estar concluído em 60 a 80 dias. “A empresa vencedora poderá explorar a publicidadeâ€, conta.
Comunicação
O delegado Marcelo Haddad, titular do 3.º Distrito Policial, delegacia que atende a região da avenida Getúlio Vargas, explica que os incomodados devem acionar a polícia. “A perturbação do sossego precisa de vítima. As pessoas devem procurar a delegacia e mesmo sem se identificar, denunciarâ€, recomenda.
Ele frisa que as polícias Civil e Militar estão trabalhando preventivamente. “Todo final de semana, os policiais militares fazem uma listagem daquelas pessoas que estão com som alto. Nós estamos intimando e pedindo que elas não perturbem o sossego alheioâ€, diz.
O delegado lembra que nos casos de estabelecimentos comerciais, o alvará de funcionamento poderá ser cassado. “A comunidade precisa usar seus direitos e reclamar. Só assim podemos tomar providênciasâ€, explica.
Haddad se coloca à disposição da comunidade. “Eles podem vir a delegacia ou participar das reuniões do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) quando esses assuntos podem ser discutidosâ€, diz.
As reclamações, segundo ele, servem para direcionar o trabalho preventivo. “Se o problema está ocorrendo em determinado local, vamos concentrar os esforços aliâ€, afirma.