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Saídas para a crise do café


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É fato que a cafeicultura faz parte da história do Brasil. Há mais de 100 anos exploramos essa nobre planta que tanto faz e fez para o desenvolvimento agrícola, social, econômico e industrial do País.

Entretanto, nos últimos anos observamos constantes, notícias ressaltando a crise no setor. O governo a procura de soluções para equilibrar o sistema produtivo, adotou medidas para resolver o problema, algumas com efeitos catastróficos, como o plano de retenção, e mais recentemente iniciativas na direção certa, como a das dívidas e leilões de opção de venda. Ponto positivo mesmo para a cafeicultura foi a aceitação de uma reivindicação de quase dez anos, a reinserção do café na política agrícola do governo com a adoção de um preço mínimo.

A realidade é que os fatores que afetam o sistema produtivo são complexos e de difícil solução a curto prazo, já que envolvem questões macroeconômicas como: consumo e produção no mundo, bem como os índices nas cotações do dólar versus o real.

Estima-se que o consumo mundial do produto gire em torno de 110 milhões de sacas por ano. O café é um produto de consumo inelástico quando associado ao preço e dificilmente uma queda ou elevação na cotação vai alterar o seu hábito de consumo. Mas atualmente passa por uma fase de recuperação do consumo perdido nas últimas décadas, através do desenvolvimento do mercado de cafés especiais, já que o consumidor dos países ricos reconhece uma melhor qualidade e reage positivamente aumentando seu consumo.

Quanto à oferta, devemos fazer duas análises. Quando o negócio é lucrativo, novos produtores surgem e os já existentes aumentam sua produção. Contudo, se a atividade se encontra em um momento de baixo retorno, o efeito é o inverso. Os oportunistas abandonam o negócio e os demais produtores tendem a diminuir os tratos culturais a fim de reduzir custos. E isso ocasiona queda de produção.

O balanço oferta versus demanda é que define as cotações mundiais do café. Para este ano é prevista a maior safra da história, com cerca de 120 milhões de sacas e um excedente próximo a 10 milhões. Ao aliarmos a estes números o preço em torno de US$ 40,00/sc, a situação do produtor pode ficar ainda mais crítica. E não devemos esquecer que o Brasil deverá responder por 40% da produção mundial nesta safra. No cenário interno, temos um fator que amorteceu o impacto dos precos baixos: a desvalorização do real. Como os produtos utilizados no sistema produtivo têm seus preços atrelados ao dólar, tivemos um aumento do custo de produção frente, mas uma taxa de câmbio mais favorável impediu uma queda maior da receita.

Somente uma pequena parcela dos produtores tem motivos para comemorar. São os que investem em uma produção mais apurada da qualidade do café. Ao participarem de alguns dos vários concursos de qualidade existentes no País, os melhores têm a oportunidade de vender seu lote com ágio, o que amplia as perspectivas de lucro. Nesta modalidade de comercialização, alguns já conseguiram vender o lote com um ágio de até 1000% em leilões na Internet.

O programa “Cafés do Brasil” investe em uma maior participação do produto brasileiro, que hoje ostenta uma grande parcela da produção com um alto nível de qualidade, em mercados diferenciados onde um bom marketing pode agregar valor ao produto e a recuperação de nossa imagem pode trazer uma valorização para o total da nossa produção. (Ricardo Luiz Zucas é engenheiro agrônomo e assessor econômico da Sociedade Rural Brasileira (SRB))

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