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Criação de pit bull pode ser proibida

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A criação, reprodução, comercialização e importação de cães da raça pit bull podem tornar-se proibidas em todo Estado de São Paulo se o projeto de lei do deputado Gilberto Nascimento (PSB) for sancionado. Aprovada recentemente na Assembléia Legislativa, a matéria aguarda sanção do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Em Bauru, onde uma lei municipal determina que para serem conduzidos nas vias públicas os cães ferozes devem usar focinheira, o projeto recém-aprovado divide opiniões. O empresário Fernando Luiz Galvani, que tem uma pit bull fêmea, acha que o comportamento do animal dessa raça depende do adestramento.

“Eu acho que o pit bull é como o pastor alemão, pastor belga e outros cachorros de guarda, mas depende da criação. Se ele cresce fechado no quintal e um dia alguém invade, ele vai pegar mesmo. Mas o problema é que algumas pessoas treinam o cachorro para brigar, os coloca em rinha. Esse pit bull fica mais feroz, é claro”, opina.

Para Fernando, até um vira-lata pode tornar-se perigoso se for treinado para brigar. O deputado justifica a proibição enumerando casos em que cães dessa raça atacaram pessoas e crianças. “Os ataques têm se tornado freqüente, sendo necessária nossa intervenção antes que fique difícil o controle da raça”, afirma.

Rafael Antônio Galvani, irmão de Fernando, acha que é exagero proibir a reprodução do pit bull, mas é favorável a uma legislação mais rígida com relação a posse responsável. “A lei deveria ser mais severa no que diz respeito com a segurança com o próximo”, diz.

A veterinária Maria Aparecida Martins Angerami concorda com os irmãos Galvani. Para ela, o que é importante é o dono responsabilizar-se por seu animal. “Trabalho com pit bull e eles são superdóceis. Cachorro de qualquer raça pode tornar-se agressivo, dependendo do proprietário”, afirma.

Maria Aparecida considera que a melhor alternativa para evitar acidentes é cobrar a responsabilidade dos donos de animais. “Acho que se ocorrer um acidente, o proprietário tem que ser responsabilizado judicialmente. O problema não é o animal porque qualquer cachorro, até um vira-lata, pode ser usado como uma arma se não for adestrado adequadamente”, conclui.

História

A história do desenvolvimento do pit bull tem início no século XVII. A origem da raça está ligada ao bull dog, mas divide-se basicamente em duas vertentes. De acordo com uma delas, o pit bull seria exatamente o antigo bull dog.

A outra afirma que o pit bull é na verdade o aprimoramento do bull-and-terrier, ou half-and-half, um descendente do bull dog. Fotografias da segunda metade do século passado mostram claramente que bull-and-terrier (conhecido hoje como staffordshire bull terrier) era o cão utilizado nas lutas de então na Inglaterra e que foi levado para os Estados Unidos.

Nos EUA, a raça começou a divergir ligeiramente do objetivo que tinha nos seus países de origem. Os cães não foram utilizados apenas para rinhas, mas também para prender gado e porcos desgarrados e como guardas da propriedade e da família. Daí o ganho de peso da raça, o que não chegou a atrapalhar sua performance.

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