Política

Para Sandrin, onça pode dar destino a marginais

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O advogado Carlos Sandrin, candidato à Câmara dos Deputados pelo PT do B, é fã da máxima “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Polêmico em suas idéias, ele defende o confinamento dos marginais na selva amazônica.

“Se tentarem fugir, vão encontrar as onças pelo caminho”, conclui, com um leve sorriso sarcástico, sem precisar dizer que ‘os infelizes’ vão servir de banquete para o ferozes felinos, conhecidos pela beleza de suas manchas pintadas.

O projeto do advogado chama-se “Cidade dos Marginais”. Mas para ganhar a passagem até o fatídico lugar rodeado de onças pintadas é necessário que o criminoso tenha, no mínimo, 12 anos de condenação.

“O local não é para qualquer um. Nessa cidade, o marginal ficará livre; vai trabalhar como um homem comum, cada um na sua profissão. Vai ter de tudo, inclusive zona agrícola para aqueles que não têm profissão”, conta.

Sandrin diz que a idéia não é maltratar os marginais. “Eles vão ter toda a atenção do Estado”, garante, em tom de quem vai conseguir viabilizar seu projeto, se for eleito à Câmara dos Deputados.

Ele acha que dessa forma a criminalidade vai cair nos grandes e médios centros urbanos do País. “E se tiverem que se matar, vão se matar entre eles. Não vão tirar a vida de um inocente trabalhador. Essa é uma maneira de expurgar os marginais. Tenho fé que esse é o caminho”, defende.

Defensor dos bons costumes, o advogado é autor de pequenos livretos, dentre os quais “Manual da menina moça” e “Zé maconheiro”, que distribui com gosto a seus interlocutores e amigos. São rápidas lições de boas maneiras e bons comportamentos, com pitadas de filosofia conservadora.

Modéstia

O candidato disputa há anos vários cargos públicos sem conseguir se eleger. “Acho que quem perde com isso é a população”, avalia, sem qualquer constrangimento estampado no rosto.

Ele avisa que não vai desistir de concorrer a mandatos eletivos. “Isso está no sangue. Sou empurrado para isso. O próprio presidente do partido indicou-me para o cargo. Ando por aí e as pessoas costumam gritar: ‘Sandrin, nosso futuro prefeito’. Isso incentiva a gente. E eu não me preocupo com vitória”, argumenta.

Calejado pela idade, o advogado relata suas experiências e seus conhecimentos geográficos do País e do mundo.

“Conheço as 25 capitais brasileiras, mais de 15 cidades do exterior, entre elas Jerusalém, Paris e Londres, onde recebi um diploma de direito de família da melhor faculdade do mundo”, destaca.

Sandrin não se preocupa com a modéstia quando o assunto são seus adversários à Câmara dos Deputados. “Se reunirem o conhecimento de todos os candidatos, não somam os meus. Tanto pela idade como pela experiência”, garante, sem, no entanto, dizer qual é a sua idade.

Na avaliação dele, os integrantes da classe política levam o País para um clima de revolução e de terrorismo. “Eu me preocupo muito com o jovem de hoje. Provavelmente eles vão pegar em armas. E vão morrer, como aconteceu em 1932, na Revolução Constitucionalista”, lembra.

Fã do ex-governador e ex-presidente Jânio Quadros, Sandrin tem saudades da época em que o dinheiro público, segundo conta, era tratado com mais lisura.

“O Jânio instituiu 3,3% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, e asfaltou todas as rodovias de terra deixadas por Adhemar de Barros, seu antecessor. Hoje, com 18% de ICMS não fazem nada e ainda cobram pedágio”, critica.

Velho Xico

A polêmica sobre a transposição das águas do rio São Francisco para a região árida do Nordeste conta com o apoio do advogado. O projeto é criticado por ambientalistas, que acreditam que a iniciativa poderá ser o tiro de misericórdia no velho Xico.

Sandrin conta que o Estado de Sergipe conseguiu mudar a paisagem seca e torrada de uma grande área, hoje produtora de frutas, como o maracujá.

“Em 1983, escrevi uma carta ao Jornal da Cidade intitulada ‘Sonho de nordestino’. Já naquela época eu apoiava o projeto de transposição, embora ele não tenha sido viabilizado até hoje. Mas o Sergipe conseguiu irrigar uma vasta região com canais e diminuir a miséria. Quando se quer, é possível”, prega.

Ele relata que esse projeto foi viabilizado graças a experiências com japoneses. “Me sinto feliz em também ter contribuído para a melhora da qualidade de vida dos nordestinos. Falo isso porque enviei a minha carta ao governador do Sergipe da época”, lembra.

Comentários

Comentários