No princípio era a mata, intransponível, secular. Havia porém a grande e pródiga “estrada†ofertada pela natureza generosa - o rio Tietê - verdadeira dádiva de Deus, que nascida no planalto de Piratininga, próximo ao mar, ao invés de procurá-lo preferiu dar-lhe as costas rumo ao interior, rasgando-o de leste a oeste. Através dele, bandeiras e monções levavam os intrépidos bandeirantes a desbravar o sertão paulista.
Barra Bonita, o local agradável tornou-se um de seus portos, hoje pujante cidade turística. Mais abaixo, num sítio aprazível, outro porto na desembocadura do rio Lençóis. Chamaram-no Porto Eliseu. Dali, tempos depois embarcavam-se café destinado aos grandes centros, mercê da ubérrima terra roxa. Nascia ali a hoje fazenda Porto Santa Amélia, à margem esquerda do Tietê, município de Macatuba. Fazenda essa adquirida por um libanês apaixonado por este país - Pedro Izar - em 7 de agosto de 1928, cujo amor à terra e à cafeicultura levou-o a ser proprietário de 25 fazendas de café na região, recebendo significativa medalha outorgada pelo Governo do Estado de São Paulo, com a honrosa inscrição “Rei do Caféâ€. A fazenda, hoje produtora de cana-de-açúcar, cereais e pecuária bovina, foi transmitida aos descendentes de Pedro Izar, de geração a geração, atualmente a um de seus netos - Jorge Luiz Izar.
Tradicional a fazenda Porto Santa Amélia teve dentre seus antigos proprietários, importantes famílias paulistas, em especial a família do então presidente da República Campos Sales, com destaque para sua neta - Baronesa de Avanhandava -, uma de suas antigas donas. Recebeu - segundo consta os anais - a visita do imperador D. Pedro II em uma de suas incursões pelo lendário Tietê.
Motivo de honra de todos os descendentes do patriarca Pedro Izar, mantemos vivas as tradições da fazenda histórica, de cujo testemunho me orgulho na condição de marido de uma de suas netas, Maria Christina Izar da Rocha. (Manoel Porfírio Rocha Filho - OAB 12.989)