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Motivos indecifráveis


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Quando se tem notícia de que a incidência de suicídios pessoais aumenta a cada dia que passa vêm logo ao pensamento dos ouvintes ou leitores uma inquirição sem dúvida pertinente: afinal, por que pessoas põem fim à existência? E o façam, muitas vezes, através de ações violentas - tiros, facadas etc - não se admitindo partir para a solidão das sepulturas pela ação de venenos, vários deles até que “agradáveis”, genialmente açucarados, com sabor de guaraná da Amazônia ou de doce de coco da Bahia...? Seja a maneira que for, o fato é que o gesto apelativo não é nem um pouquinho aplaudido pela maioria das pessoas. Se fosse satisfatório, a quantidade de desistências da caminhada terrena seria inegavelmente maior que os milhares diariamente ocorrentes, porque muitos gostariam de sentir na boca sabores adocicados...

Voltemos, porém, à pergunta do tema: por quê, por quê, a gente se surpreende quando toma conhecimento da existência de figuras que “saem da vida pra entrar para a história” até por motivos reconhecidamente fúteis, como por terem se exposto demasiadamente ao vento ou à chuva, terem comido isto ou aquilo de que não gostavam e até por terem ido ou não a uma viagem, ao jogo da seleção ou ainda a outro passeio?... No terreno das mulheres há aquelas que batem asas - como ficam bonitas deitadas nas urnas! - simplesmente por não gostarem dos modelos de seus vestidos, da cor de sua pele, seu tipo de pernas, tamanho de seus seios, e, igualmente, só porque deixaram de gostar do namorado, do noivo ou do marido! Eles ou elas, certamente dotados de imaginação negativista, vivem sujeitos aos terrores de suas turbulências, daí partindo, a qualquer hora, para o último adeus à esposa, aos filhos, demais parentes e amigos de copa e cozinha. Debitam os analistas e sociólogos os fatos emergentes a apenas um motivo: profundo sentimento de culpa, devido a fracassos nos negócios, nas tarefas funcionais, incompatibilidade com membros da família ou com companheiros de trabalho, etc, o que lhes provoca recalques que consideram superáveis, certo ou errado, unicamente através do suicídio, partindo então para o auto-castigo sem maiores e sensatas consultas a si próprio ou a quem quer que seja... Não consultando o coração ou a razão, demonstra o cidadão que não se ama, não gosta da vida e, portanto, como permanecer indefinidamente, até que o Criador o convoque, ao lado do seu próximo de muitos anos? Os registros policiais devem estar abarrotados de questões dessa natureza, para as quais não localizam plausibilidade. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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