Polícia

Vigia pode ser exonerado de cargo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

O servidor municipal R.S.M, 49 anos, preso anteontem sob a acusação de molestar menores, deve ser exonerado da administração municipal, conforme informou o corregedor-geral administrativo da Prefeitura Municipal de Bauru, Idomeu Alves de Oliveira Júnior.

De acordo com ele, o vigia, que trabalhava no prédio do Departamento de Saúde Coletiva quando foi reconhecido por um menor, já responde a um processo administrativo aberto em março deste ano decorrente de outra denúncia semelhante.

“Como existe um outro processo em curso, as queixas desta semana devem ser anexadas às mais antigas, o que deve agilizar sua provável demissão”, explica Oliveira Júnior.

Enquanto as investigações realizadas pela prefeitura não chegarem ao fim e o vigia continuar preso na Cadeia Pública Bauru, ele vai receber apenas 50% de seus proventos, conforme o previsto no Estatuto do Servidor Público. Contudo, o processo administrativo pode concluir por sua exoneração mesmo que o trâmite do processo criminal não seja concluído.

A última investigação referente ao funcionário começou há alguns dias, quando uma professora da escola Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, notou que um de seus alunos estava com bastante dinheiro. Ao pressioná-lo sobre a procedência do montante, o garoto contou que conseguia as quantias em troca de relações sexuais com o acusado.

Estranha coincidência

As denúncias que recaíram sobre R.S.M esta semana são coincidentes com as levantadas em 29 de março deste ano. Naquela época, o servidor foi acusado de molestar outros dois menores, de 12 e nove anos, que moram na Vila Santa Luzia.

Entretanto, seu advogado de defesa conseguiu o relaxamento da prisão porque as mães dos garotos alegaram que foram induzidas a fazer as declarações contra o servidor e que não tinham interesse em continuar o processo. Na época, o vigia exercia suas funções no Instituto Municipal do Trabalhador.

No início do ano, R.S.M foi acusado de pagar R$ 10,00 às crianças em troca de autorização para fazer sexo oral nos meninos. O caso está no Fórum, aguardando audiência de instrução, quando as testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas.

Enquanto isso, a Delegacia de Defesa da Mulher vai investigar o caso. Hoje, os primeiros depoimentos dos envolvidos devem ser tomados, segundo informou a delegada Rejane Borro Tiritan.

Caso traz apreensão para família e escola

A mãe de um dos menores que admitiram anteontem ter recebido dinheiro em troca de favores sexuais disse que também teme levar o caso adiante. Segundo ela, a família tem medo de que o acusado seja inocentado e que, mais tarde, possa atentar contra a vida do seu filho.

“Além deste problema, meu menino não quer voltar para a escola porque outros garotos envolvidos no caso prometeram que vão bater nele. Para piorar, ele não quer virar razão de chacota entre os colegas nem levar a fama de dedo-duro”, explicou.

Segundo o relato da mãe, o nervosismo do garoto de 12 anos era perceptível há algum tempo. Ela teria comentado com o pai da criança e com uma irmã sobre suas preocupações. “Ele andava com o olhar diferente e dormindo muito. Estranhei. Quando perguntava sobre o dinheiro que recebia, ele me falava que ganhava olhando carros”, justifica.

A responsável pelo menino ainda garantiu que teimava com o filho com o intuito de demovê-lo da idéia de ir até o centro da cidade fazer este tipo de serviço. “Ele é muito desobediente, não quer nem ir à igreja com os irmãos. Mas vamos fazer uma oração para Deus salvá-lo. Fiquei muito triste com o que aconteceu e talvez mude para uma cidade do Paraná, mais tranqüila”, desabafa.

Para evitar que situações drásticas sejam tomadas ou que outras ocorrências da mesma natureza sejam registradas, a diretora da escola Ayrton Busch, Teresa Regina Escarele Pereira, garante que vai discutir o caso com o Dirigente Regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, para encontrar uma maneira de livrar os menores de situações que favoreçam a prostituição.

“Certamente este não é o único caso. Sabemos que existe uma rede de comércio sexual na avenida Nações Unidas, nas proximidades da Praça da Paz. Essa rede explora justamente as crianças carentes. Temos de encontrar uma alternativa para elas. Vamos precisar da ajuda da comunidade e do poder público”, comenta.

Segundo ela, para que o Jaraguá deixe de ser o que é, é preciso fazer um trabalho que envolva, inclusive, os pais das crianças.

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