Tribuna do Leitor

A fascinação dos bordéis


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As mulheres da minha geração e do meu ambiente social, se ouviram falar em bordel e isso era raro, sabia que era algo que nos era interdito, embora a gente soubesse, vagamente, que nosso irmãos e até mesmo nosso namorados ou flerts os conheciam e freqüentavam. Mas jamais permitiam que se falasse nisso. Por mais que a gente tivesse curiosidade e quisesse saber como era esse mundo desconhecido, secreto e proibido, nada nos contavam. Havia por parte dos homens da minha geração uma verdadeira conspiração de silêncio em torno do assunto e por isso mesmo ele nos parecia tão fascinante. Quando soube do livro do Lúcius de Mello, sobre a Eni e seu bordel, fiquei logo interessada em adentrar esse mundo secreto e esperava que ele me revelasse tudo quanto eu quisera saber sobre as mulheres tão diferentes, seu modo de vida e o ambiente em que viviam e o que sentiam, se seus sentimentos seriam muito diferentes dos nossos.

Gostei muito do livro, é bem escrito, é bem pesquisado e nos prende do começo ao fim. Apenas constatei que as mulheres aí apresentadas, são apenas humanas, são mulheres como nós, que sofrem, amam, soluçam e choram da mesma forma que nós que temos outro tipo de vida, quiçá mais feliz(?) e mais protegida por estarmos dentro do contexto social correto e mais bem aceito pela sociedade. (Isolina Bresolin Vianna - Associação Paulista de Imprensa)

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