Cultura

A luz do humor de Juca Chaves

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

“Venha ajudar o Juquinha a encher o tanque do seu Jaguar”, brinca o cantor e humorista Juca Chaves em seu site na Internet, onde convida os navegadores da rede a assistirem seu mais recente espetáculo, “O Iluminado”.

Diante da irresistível piada-convite é fácil entender como Chaves, com 37 anos de estrada, é o artista que mais vendeu obras de humor no Brasil e ainda construiu uma respeitável carreira como showman em Portugal e na Itália.

Seu humor refinado e musical é afiado e irônico, quase cara-de-pau e - o melhor - não poupa nenhum segmento da sociedade. Juca Chaves e o seu espetáculo “O Iluminado”, podem ser conferidos hoje, a partir das 21h, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”.

A apresentação, para um público obrigatoriamente maior de 18 anos, tem apoio do Jornal da Cidade, SBT, Saint Paul Residence, Restaurante Amigo Hans, Restaurante Tayu, Unesp FM e da Secretaria Municipal de Cultura. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro.

Em “O Iluminado”, o eterno menestrel brasileiro (maldito para alguns), continua não poupando a classe política em suas anedotas e canções. Ninguém fica de fora. Militares, Nova República, FHC, estão todos lá, na boca do Juquinha - como se auto-denomina o artista.

Com seu estilo único, de pés descalços e alaúde nas costas, ele entra e sai do palco com uma fisionomia quase inalterável mesmo enquanto abre seu infinito arquivo de piadas e músicas. O espetáculo “O Iluminado” estreou em São Paulo há um ano, no Teatro Procópio Ferreira e foi considerado o melhor show de humor do ano de 2001.

Homem que veio do céu

No seu site na Internet (www.uol.com.br/juca), Juca Chaves conta um pouco de sua história e explica a origem do nome do espetáculo. “Meu pai é austríaco de nascimento e brasileiro por opção. Minha mãe é brasileira de nascimento, e, análogamente, austríaca por necessidade. Eu e minha irmã somos brasileiros nascidos no Lido, em Copacabana”.

“Chaves de nosso sobrenome é conseqüência de naturalização do velho Czackes. Concluindo: Chamo-me Jurandyr Chaves, assim exatamente registrado e portanto brasileiro de 400 anos – 400 anos de Áustria, claro! Meu nome é indígena: Jurandyr. Quer dizer ‘o que veio trazido pela luz do céu’. E para aqueles que não acreditam em gestação e outros pecados, compreenderão porque é que eu nunca irei ao céu. Pois, de lá eu vim...”, diz.

Jurandyr Chaves, nasceu no dia 22 de outubro de 1938 e muito cedo foi com a família para São Paulo, onde foi educado. “Nunca foi precoce, nem dei recitais quando criança, nem ganhei medalhas de honra ao mérito. Aos treze anos, consagrei-me definitivamente no conceito do público quando marquei um gol contra em partida decisiva. Foi meu presente ao dia das mães. Várias vezes enganado por minhas namoradas, era considerado um rapaz normal”, conta no site.

Aos 12 anos, compôs a primeira modinha de amor para uma garota de nome Neusa, de 10 anos. “Semente Bonitinha” é o título da segunda composição romântica, “isto porque aos 6 anos, já havia composto um ‘Hino para os Cachorros’, pois desde aquela época, quanto mais eu conhecia as meninas, mais eu gostava dos cães”, brinca. “Em verdade, demonstrei ainda cedo que iria optar mesmo era para a poesia, a música e a mulher”, completa.

Amante da boa vida, colecionador de carrões e dono do nariz mais famoso do showbiz nacional, hoje, quando não está se apresentando pelo Brasil ou pelo mundo, Chaves se dedica ao que chama de “ócio criativo”, em sua casa em Itapoã, na Bahia, onde vive com a esposa Yara a filha Maria Clara.

Serviço

“O Iluminado”, hoje, às 21h, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”. Av. Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235-1072 e 235-1312.

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