Turismo

Porto Alegre: Uma cidade para ser desvendada


| Tempo de leitura: 5 min

Em sétimo lugar no ranking das cidades brasileiras que mais receberam estrangeiros em 2000 e 2001, Porto Alegre não revela suas belezas e atrativos à primeira vista. Para saber o que tanto atrai gringos das mais variadas partes do mundo, além dos negócios e do Mercosul, é preciso desvendar aos poucos essa cidade que ainda guarda um quê de provinciana. Somente pelos títulos que já recebeu dá para sentir que boa coisa ela deve ter (e tem) a oferecer. A capital do Rio Grande do Sul é a cidade mais arborizada do Brasil e é a metrópole número um em qualidade de vida no País, segundo a ONU. Basta andar pela cidade para confirmar o valor desses prêmios: além da vasta variedade de programas culturais e gastronômicos, Porto Alegre está rodeada por áreas verdes (554 praças e novos parques) e pelas águas do Delta do Rio Jacuí e do Guaíba, palco do famoso pôr-do-sol porto-alegrense. Mas a capital gaúcha é mais que isso. Comece pelo centro histórico, que pode ser conhecido em algumas horas, pois os pontos turísticos ficam bem próximos. A visita ao Mercado Público Central vale pela arquitetura do prédio e para ficar por dentro das especiarias regionais. Há uma infinidade de ervas - destaque para a erva-mate usada no chimarrão -, artigos religiosos, artesanatos e restaurantes. Antes de se embrenhar no centro da cidade, “fuja” pela Avenida Júlio de Castilhos até a Casa do Artesão. O nome já diz tudo. Lá há todo tipo de artesanato. Os mais típicos estão no bolicho (nome de vendinhas das antigas fazendas). Objetos de chifre e prata, tapetes e malhas de lã, trabalhos com madeira e couro, e as cuias para o chimarrão são vendidos a preços acessíveis. De volta ao núcleo central, vá direto à Praça da Alfândega, onde ficam o Santander Cultural, o Memorial do Rio Grande do Sul e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), todos em prédios históricos de arquitetura imponente. Perfeito para programas culturais sem gastar um centavo. Localizado na antiga sede do Banco Nacional do Comércio, o Santander Cultural tem salas de cinema, de exposições e de espetáculos musicais. No subsolo, fica o tesouro do lugar: o Museu da Moeda.

História

Enquanto caminha pelo corredor, o visitante conhece as mais de 5 mil peças do acervo. Entre carimbos, cofres e outros acessórios de antigas agências bancárias, estão moedas e cédulas que contam a história do Brasil. Há desde a moeda de ouro Papo de Tucano, de 1851, até uma folha de cheque do Banco Nacional do Comércio assinada por Getúlio Vargas, em 1923. Ao lado, fica o Memorial do Rio Grande do Sul. Ali, dá para passar uma tarde inteira conhecendo um pouco mais do Estado. Nas paredes, uma linha do tempo da Pré-História até hoje. Nas colunas, textos e fotos que ilustram a vida de personalidades gaúchas como Getúlio Vargas e Elis Regina. Do outro lado da Praça da Alfândega, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul reúne obras de artistas mundiais. Outra praça concorrida quando o assunto é cultura e turismo é a da Matriz. É o centro do governo do Rio Grande do Sul e é lá que fica a enorme Catedral Metropolitana e o Theatro São Pedro. A um quarteirão dali, o Museu Júlio de Castilhos, montado na prédio que foi casa do líder político no século 19, vale pelas pequenas curiosidades à mostra, como a lambreta de José Ferreira da Silva que, na década de 60, conheceu 50 países sobre uma moto. Se você seguir à risca esse roteiro e, se depois de andar o dia todo, ainda restar energia vá andando rumo ao Centro Cultural Usina do Gasômetro. Assim, você deve chegar à beira do Guaíba na hora certa para fechar o dia com chave de ouro: o pôr-do-sol. Prepare a máquina fotográfica e registre o seu cartão-postal de Porto Alegre.

Baladas noturnas

Quando o assunto é balada, Porto Alegre se divide em duas: o bairro Moinhos de Vento, ponto de encontro de patricinhas e mauricinhos, e a Cidade Baixa, reduto de intelectuais e “alternativos”. No primeiro, abundam cafés e pequenos (e chiques) restaurantes, como o tradicional Café do Porto, perfeito para um café da tarde ou happy hour, e o romântico Le Bistrot, que apesar do nome francês segue a linha internacional. Quem estiver a fim de beber apenas deve experimentar o clericot, bebida muito procurada nos bares de Porto Alegre, uma mistura feita com frutas da estação, vinho branco, guaraná e suco de pêssego. No bairro, estão ainda o badalado Mercearia do Padre, o apertadinho Z Bistrot ou a modernosa pizzaria Grafite. Isso só para citar alguns restaurantes e bares da região, que ferve quase todas as noites. Parece até o Jardins de São Paulo, tanto é assim que uma das ruas da região, a Rua Fernando Gomes, foi apelidada de “Calçada da Fama”, pela quantidade de socialites que desfilam por lá. Perto do Parque Farroupilha (conhecido como Redenção) fica o outro ponto de baladas, cuja principal rua é a da República. É a Cidade Baixa, núcleo da boemia desde o tempo de Lupicínio Rodrigues. Lá, descolados e alternativos se divertem em bares menos requintados, porém não menos modernos e aconchegantes, como o pequenino e escuro Espiral Bar e Café e o curioso Móveis Antigos, que nunca tem os mesmos móveis, pois de dia funciona como loja de antigüidades e à noite como bar. Se você não se encaixou em nenhum dos dois perfis, riquinhos ou cults, vá à Rua Goethe. Entre os dois extremos da balada porto-alegrense, seus descolados barzinhos sempre estão cheios de rodas de amigos, dispostos a conversar, dar muita risada e paquerar.

Comentários

Comentários