A rodada de negociações realizada ontem na Prefeitura Municipal de Bauru entre representantes da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e o prefeito Nilson Costa (PPS) reabriu o diálogo entre o município e a empresa, mas não resolveu o impasse da dívida com a distribuidora de energia.
Atualmente, há uma estimativa extra-oficial de que a dívida da prefeitura com a energética seja de, no mínimo, R$ 5 milhões, em grande parte proveniente da iluminação pública.
Em contrapartida, a prefeitura cobra da CPFL detalhes sobre a origem exata do montante atrasado e providências quanto a residências que ainda não recebem energia elétrica. Nesta questão, a CPFL poderá, dentro de 30 dias, fazer a ligação de energia em 90% das residências sem luz de Bauru.
“Eles estão reabrindo a empresa para estudar assuntos pendentes, como a ligação de energia em residências e iluminação pública, além de questões financeirasâ€, relata o assessor de gabinete da prefeitura, Braz Melero.
Ele afirma que, apesar do atraso no pagamento, a prefeitura ainda não sabe precisar qual é o valor real da dívida. “Acabamos não chegando a um valor exatoâ€, diz. E completa: “A CPFL ficou de levantar um valor exato e o município vai fazer uma avaliação desses valores apresentados.â€
De acordo com o gerente de contas do Poder Público da CPFL, Marcos Mielo, a energética deverá, nos próximos dias, apresentar à prefeitura a conta exata. “Estaremos apresentando à prefeitura uma proposta para que eles analisem e nos dêem uma posição sobre issoâ€, afirma.
A aguardada presença do novo diretor comercial da CPFL, Aírton Salton Rosek, que viria como um “negociadorâ€, foi frustrada por um “problema de última horaâ€.
Segundo Mielo, a dívida está mesmo ao redor de R$ 5 milhões, mas ele alega não poder precisar o valor. “Valores exatos a gente não pode precisar, porque até em função do Código de Defesa do Consumidor, não podemos expôr o cliente. Mas fica mantida aquela posição que já foi informada anteriormenteâ€, declara.
De acordo com Melero, o problema da falta de energia elétrica em cerca de 90% de 126 residências espalhadas pela cidade deve ser resolvido em 30 dias. “A CPFL se comprometeu a aplicar a legislação da ‘universalização de energia’, ou seja, de realizar, sem custos, determinados tipos de obrasâ€, explica, referindo-se a uma lei de abril de 2000.
Num primeiro momento, devem receber energia as casas que se encontram próximas a transformadores já instalados e necessitam apenas de extensão da chamada “rede secundáriaâ€. “Nós vamos nos sentar para ver qual se enquadra nesse príncipio na primeira faseâ€, diz o assessor.
Pelo projeto, a chamada “rede primária†não poderá ser estendida no primeiro lote de operações. “Se a residência, por exemplo, estiver a 200 ou 300 metros do último poste, pode ter que estender a rede primária e colocar um transformador. Esses casos não serão abrangidosâ€, observa.
Segundo o gerente da CPFL, a empresa está disposta a resolver o problema, mas não promete datas. “Depende da prefeitura nos passar os pedidos, que estaremos analisando e fazendo a negociaçãoâ€, afirma.