Política

Projeto proíbe mais prédios na zona sul


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Gilmar Dias

O vereador Osvaldo Paquito (PPS) protocolou projeto de lei que proíbe a construção de prédios nas Vilas Mariana e Riachuelo, ambas localizadas na zona sul de Bauru, entre as avenidas Getúlio Vargas e Nossa Senhora de Fátima. A proposta já tramita pelas comissões internas do Legislativo.

Paquito foi procurado por um grupo de moradores da região compreendida pelo quadrilátero das ruas Alfredo Fontão, Jamil Gebara, Ignácio Alexandre Nasralla e professor Alberto de Rezende. O local já tem um conglomerado de 15 edifícios.

Eles estão preocupados com o surgimento de notícias de que algumas construtoras já estão viabilizando projetos para levantar mais prédios naquela região da cidade.

A zona sul é a que mais cresceu verticalmente nos últimos anos. A paisagem da área é formada por um emaranhado de edifícios.

A região ainda oferece uma lista imensa de terrenos vazios, que são cobiçados pelas construtoras e motivo de preocupação por parte de quem reside naquela área.

Segundo Paquito, em 1995 os vereadores João Parreira (PSDB) e Luiz Carlos Valle (PSB) aprovaram projeto de lei na Câmara Municipal proibindo a construção de edifícios na região do Jardim América.

“Com essa proibição, ficou restando uma área que ficou aberta à construção de edifícios. E de 1995 para cá, foram levantados mais de seis prédios naquela região. E pelos terrenos existentes, é possível o lançamento de mais empreendimentos”, explica.

O parlamentar é contra a construção de mais edifícios nas áreas denominadas de Vilas Mariana e Riachuelo. “Não há infra-estrutura para comportar a demanda de pessoas que vão ocupar os futuros empreendimentos”, avalia.

Ele alerta que os serviços de telefonia, de fornecimento de água e captação de esgoto podem entrar em colapso com a construção de mais prédios na zona sul.

O vereador lembra que a região foi projetada, inicialmente, para receber imóveis térreos. “E tudo foi projetado - galerias de captação de águas pluviais, rede de esgoto e fornecimento de água - para atender a essa demanda de residentes, hoje já totalmente estourada. A situação pode vir a piorar”, observa.

Paquito explica que há interesse de uma construtora em lançar um empreendimento de 15 andares na região, com quatro apartamentos por piso. “Só esse prédio vai gerar mais de 300 moradores. É um impacto muito grande”, diz.

Segundo o parlamentar, há manifestação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) alertando sobre possíveis problemas com a rede de esgoto da região devido ao seu superpovoamento.

'No limite'

A titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), arquiteta Maria Helena Rigitano, afirma que a região compreendida entre as avenidas Getúlio Vargas e Nossa Senhora de Fátima está “no limite” em relação a empreendimentos verticalizados.

“Na realidade, nesse local existe uma alta concentração de prédios o que pode estar dando problemas no abastecimento de água e na coleta de esgoto”, diz.

Ela explica que a construção de prédios muito próximos uns dos outros prejudicaria a insolação, ventilação e o visual.

“Não sou favorável a alta concentração de edifícios. Em Bauru, há um dispersão de prédios. Essa qualidade que nós temos hoje é interessante”, conta.

A arquiteta informa que os novos empreendimentos projetados para aquela região vão ter que passar por uma consulta no Ministério da Aeronáutica, devido à proximidade com as instalações do aeroporto.

“Nós não vamos aprovar nada sem o consentimento do comando da Aeronáutica”, avisa.

Ela lembrou que no passado recente uma construtora teve problemas ao levantar um prédio nas proximidades do aeroporto.

A obra ficou embargada por alguns meses até ser liberada, após cumprir exigências do Ministério da Aeronáutica.

'Mais opções'

O presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva, é contra uma eventual proibição para construção de prédios nas Vilas Riachuelo e Mariana.

Ele só reconsideraria esse posicionamento se ficar comprovado que os novos empreendimentos vão comprometer o abastecimento de água e a coleta de esgoto naquela região.

“Nós, do ramo imobiliário, achamos que cada nova construção de prédio, loteamentos, se configuram em mais opções de venda”, argumenta.

O presidente da entidade acha que essa proibição caberia bem em regiões residenciais onde só existem casas térreas.

“Porque isso com certeza desvalorizaria os imóveis. Mas a região citada está totalmente rodeada de prédios. Não tenho nada contra a construção de mais um prédio ali”, opina.

Martinho cita a região do Parque das Camélias como exemplo. Ele lembra que o local abrigava só barracões no passado.

“De repente surgiu o Camélias e mais um complexo de outros prédios no entorno. Não vejo problema nisso.”

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