O deputado federal Gilberto Kassab (PFL) afirmou esta semana, durante visita de campanha em Bauru, que o voto distrital não será aprovado na próxima legislatura. “Eu afirmo que não aprova e nem vai para a pauta. Quem comanda o Congresso é o Norte e o Nordeste do país e eles têm maioria suficiente para não permitir prejuízos de representatividade. Pode escrever, não aprova o voto distritalâ€, prenuncia.
Diante dessa previsão, Kassab não busca só intensificar a dobradinha com o deputado estadual Rodrigo Garcia (PFL) na região. Ele avalia que a não aprovação do voto distrital e a redução no número de partidos no país vai exigir fortalecimento das candidaturas partidárias, com nomes compromissados com mais de uma região por estado.
Para Kassab, não há espaço político no Congresso para a aprovação do voto distrital. “São Paulo tem o maior colégio eleitoral do país e um sexto de todos os votos. Mas as bancadas do norte e nordeste, que têm muito mais deputados, maior território e menor população, não vão deixar que o Congresso aprove o voto distrital porque eles perderão muito em representatividade e em número de cadeiras. Pode escreverâ€, prevê.
Ou seja, o voto distrital pressupõe a eleição de deputados em relação direta com colégios eleitorais regionais. Assim, São Paulo seria beneficiado em larga escala em função da concentração populacional. Mas o Norte e Nordeste do Brasil, imenso mas com territórios pouco desabitados, perderia muitas cadeiras proporcionais à sua representação.
Com isso, o deputado federal acredita que os partidos considerados grandes vão se organizar esperando a vigência da legislação que proíbe a existência de partidos políticos. “Eu também aposto que a partir de 2006 o Brasil terá só quatro partidos, o PFL, PSDB, PMDB e PT. Dificilmente vai ficar mais do que quatro. Por isso, daqui para frente as candidaturas serão mais partidárias do que regionaisâ€, amplia.
Kassab quer dizer que as candidaturas puramente regionais vão se enfraquecer com nos próximos anos. “O que via acontecer é o fortalecimento de um candidato a deputado federal e estadual compromissado com Bauru, mas não só com Bauru. Tenho o maior respeito pelas reivindicações, pelas posturas municipalistas, defendo o voto distrital também, mas não temos espaço político para aprovar o voto distrital no Brasilâ€, conta.
A legislação que entrará em vigor em 2006 é a chamada Cláusula de Desempenho. Serão extintos os partidos que não conseguirem 5% da representação entre os deputados federais. “Isso me autoriza dizer que a partir de 2006 ficarão só quatro partidos no país com direito a tempo de rádio, televisão e estrutura partidária nas ruas para disputar as eleições com estrutura de liderança estadual e municipal. Este é o futuro da nossa reforma políticaâ€, cita.
Ele não conta sequer com a fusão entre PPS, PTB e PDT se Ciro Gomes (PPS) não for eleito presidente da República. “O Ciro Gomes não será eleito. Se considerarmos os dados de 1998 o PPB de Paulo Maluf tinha mais deputados do que essa fusão anunciada e o Maluf estava com a corda toda naquele ano junto com o Espiridião Amim em Santa Catarina e outros. Ainda assim o PPB não conseguiu os 5% naquela boa faseâ€, exemplifica.
A dupla de deputados trabalha preferencialmente na cidade de São Paulo, em São José do Rio Preto, em Lins, em Jaú e na região de Bauru. “Temos inserção em diferentes cidades do estado com um trabalho diferenciado nesses nichos, Bauru, Rio Preto, São Paulo, Lins e Jaú. Acreditamos muito nessa estrutura do partido no Interior e isso dá condições boas para nossos esforçosâ€, comenta.
O deputado aposta na eleição da maior bancada pefelista de deputados por São Paulo. “Estamos preparados para eleger de oito a 10 deputados federais só por São Paulo. E isso nos dá um cenário muito forte nas eleições municipais de daqui a dois anos em todas as regiões do Estado. Para isso temos uma parceria com o deputado estadual Rodrigo Garcia em vários locais do estadoâ€, cita.
Kassab aposta na boa estrutura do partido no estado para continuar deputado federal. “O PFL hoje é muito bem representado no estado e tem diretórios em quase todos os municípios, com raríssimas exceções, com candidatos a prefeito, vereadores, vice-prefeitos em diversos municípios. No restante do Brasil o PFL sempre foi bem estruturado. Tivemos um bom trabalho de estruturação no interior de São Paulo e por isso estamos extremamente otimistas nesta eleiçãoâ€, aborda.