Está aberta a Campanha Nacional de Trânsito. Que celular é bom companheiro, ah, tá, alguns podem negar. O delírio modernista contido nessas pequenas caixas ambulantes anda causando arrepios até nos membros da segurança pública. Os celulares estão por toda parte, impregnando bolsas e carros, ternos e afins. Não sossegam nem na academia de ginástica. Tocam. E tocam os olhos e ouvidos de marginais, encarcerados ou não, comandantes em bizarras fardas, dos bandidos soltos que assaltam por aí.
Teve quem os pendurasse na calça feito um desengonçado talismã. Hoje, com design tecno e tamanho reduzido, esses micro-aparelhos desfilam antenados até no cinema. Em pleno auge da trama, seus nervos estremecem com o barulho irritante daquelas belezinhas, que resgata a realidade da qual você quer fugir e não consegue. Nem no cinema.
Mas vá lá. A utilização desenfreada de aparelhos celulares na direção é alvo de campanha institucional. Explicam as autoridades constituídas que celular ao volante com “viva vozâ€, também é infração. O porém é que, com a história do viva-voz, os felizes e desencanados vão ser obrigados a parar de cantar baladas ao volante.
Imagine a cena: Lálaáraraa!!! O sujeito no carro em movimento está cantando a música favorita. Sorrateiramente, o guarda de trânsito vê aquilo e passa o certificado: é o tal viva-voz. Pronto. Você conversou (ou cantou) num celular fantasma e recebe a cartinha em casa.
Entre os inocentes, alguns tem manias que até Deus duvida. Um amigo costuma arrancar um pelinho que insiste em perturbar-lhe a orelha. Um hábito como, digamos, roer as unhas. Flagrado no ato, o equívoco tomou corpo e o coitado foi autuado porque, segundo a autoridade de trânsito, ele dirigia e falava ao celular ao mesmo tempo.
Mas, entre mortos e feridos, nem todos se salvam. Tem os que merecem. E são muitos. Aliás, é grosseiro e deselegante conversas de motorista ao celular, com automóvel em movimento. Horrível! Você, maníaco desatinado por esta prática, não imagina como fica antipático(a) e brega falando nesse negócio em trânsito. E os acintosos da modalidade merecem, menos que alertas educados, serem mesmo penalizados por colocarem em risco a vida das pessoas.
Digamos que não seja fácil coibir o que já é vício. O ato de fumar, por exemplo, prejudica somente o adepto do tabagismo. Desde que fume sozinho. Outro dia, num gesto raro, um motorista falava ao celular, mas com o veículo estacionado. Teve a educação de parar para usar o aparelho. No afã de coibir os abusos com os celulares, bom senso e olho clínico é fundamental. Senão, muito inocente também pode levar a culpa. E ninguém mais vai poder cantar no carro. (A autora, Vera Lúcia Andrade, é jornalista)