Polícia

Diju e NAI oferecerão atendimento integral ao adolescente infrator

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O titular da Delegacia de Infância e Juventude (Diju), delegado Adib Jorge Filho, aposta no atendimento integral aos infratores na cidade. “A delegacia vai reunir assistentes sociais, psicólogas, Poder Judiciário, Ministério Público, Procuradoria do Estado, polícia e Febem”, afirma.

A Diju vai funcionar seguindo o expediente das delegacias especializadas, em horário comercial. “Nos demais horários, os casos serão atendidos no plantão da Delegacia Seccional. Se o caso requerer apreensão do menor, ele virá para a Diju, onde os agentes de proteção da Febem farão sua guarda. Os agentes vão trabalhar 24 horas”, conta.

O período de apreensão não deverá superar cinco dias. “Até que o juiz tome conhecimento do caso e da situação como um todo e possa deliberar sobre o encaminhamento à Febem ou a liberação do jovem aos pais”, explica.

O secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, acha que o Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) é um projeto que poderá diminuir, gradativamente, o número de infratores. “Muitas vezes o ato infracional é de pequeno potencial lesivo, um furto por exemplo. Uma orientação rápida pode reintegrá-lo à sociedade e evitar a internação futura. Prender o adolescente é a última decisão”, frisa.

Em Bauru são registrados em média 1.000 atos infracionais ao ano, segundo o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer. “Este número está aquém da realidade. Acho que, num primeiro momento, este número vai crescer. A curto e médio prazo, a tendência é diminuir se o atendimento for eficaz”, espera.

Ele acredita que a Diju e o NAI podem agilizar e resolver muitos casos. “O sucesso da recuperação é corrigir o infrator já no primeiro ato infracional. Não adianta tentar corrigir depois que ele cometeu 30, 40 atos infracionais”, ressalta Maintinguer.

O atendimento integral, na opinião do juiz, poderá levar ao judiciário informação mais real do adolescente infrator. “Ele vai ter atendimento psicológico; a família vai ser visitada e será verificado porque ele se enveredou para o crime”, conta.

Após o atendimento inicial, segundo Maintinguer, o infrator poderá ser inserido em uma escola ou no mercado de trabalho. “A família também será amparada”, afirma. Noventa por cento dos atos infracionais são de natureza grave, motivados pelo uso de drogas. “O menor vem de uma família desestruturada. Vive numa situação de miséria e é acolhido pelos traficantes que passam a viciá-lo. Para sustentar o vício, ele pratica furtos e roubos até se envolver demais e ser morto”, ressalta.

A Diju, conta o juiz, dispõe de duas celas para acolher os infratores por cinco dias. “Eles deixarão de ocupar uma cela da cadeia. Receberão atendimento diferenciado”, completa.

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