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Negócios 'imperdíveis'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

No dicionário Aurélio, paixão quer dizer “sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão”. Nada é mais perfeito para definir os verdadeiros “negócios da China” realizados pelo mecânico bauruense Jéferson Donizeti Bortoloti, 30.

Admirador de carros e motos antigas desde a infância, ele já fez o que pode ser chamado de “loucuras” para ser o proprietário de uma TL 1973 e uma lambreta 1965. Pela primeira, Jéferson teve de ceder à exigência de seu antigo dono: assinar um termo de responsabilidade, registrado até em cartório. “A pintura estava desbotada e o motor precisava de uma série de reparos. Por isso, o então proprietário elaborou o documento”, conta.

O sonho de Jéferson pela TL começou quando ele ainda era criança. Aos 12 anos, não cansava de ficar olhando o modelo estacionado na garagem de um vizinho, que nunca escondeu sua intenção de vendê-la. “Assim, quando tive a oportunidade, há cerca de cinco anos, não perdi tempo e nem discuti o preço. Comprei-a e, após três meses, já a tinha reformado. Tanto que o antigo dono nem acreditou quando a viu novamente”, revela ele.

Já pela lambreta, o mecânico teve de efetuar o popular, mas inusitado, “rolo”. Em troca da pequena motocicleta, há aproximadamente dois anos, Jéferson teve de se desfazer de um aparelho de CD. “Ela estava destruída e abandonada no quintal da casa de um amigo, que só prometia consertá-la. Então, propus o negócio, que ele aceitou, e também a reformei”, lembra o bauruense.

Transformações

As reformas feitas pelo mecânico na TL e na lambreta transformaram o visual dos veículos e os deixaram com “cara” de avó e neta. Isso se deve ao fato, feito propositalmente por Jéferson, de pintá-los nas mesmas cores. Ambos são azuis, com vários detalhes brancos. “Assim eles formarão um casal perfeito para participar de encontros. Para isso, quero construir uma carreta”, justifica ele.

O mecânico explica que, a exemplo da lambreta e da TL, também será personalizada para chamar a atenção. “Ela terá as mesmas tonalidades e servirá para carregar a lambreta para os eventos de carros e motos antigas”, afirma Jéferson.

As reformas na TL exigiram, além de tempo, enorme dedicação do bauruense. Mas o esforço e o investimento, cerca de R$ 10 mil, valiam a pena, pois o modelo da Volkswagen acabou tornando-se um carro que, por onde rode, chama a atenção. Além do belo tom azul, presente até mesmo nas rodas, o veículo ganhou motor 1.700 a álcool, com proteção de vidro, e câmbio, ambos “importados” do SP2, e uma série de modernidades.

Entre eles, figuram ignição eletrônica, cinto de três pontas, trio elétrico, banco de couro com espuma injetada, antena elétrica, insulfilme azul claro e retrovisor BMW, além de vários itens cromados, como o retrovisor, o aro do farol e as palhetas. De original, além da cor, somente o pneu com faixa branca. “Comprei-o por encomenda, pois atualmente ele não existe mais”, destaca Jéferson.

Segundo o mecânico, a TL e seus bancos brancos foi pioneira na cidade a usar tal tipo de coloração. “Ela foi o primeiro carro a ter tapeçaria dessa cor por dentro. Depois que coloquei, muitos também seguiram a idéia e virou febre”, diz ele. Outro detalhe pitoresco do modelo encontra-se na placa traseira. Nela, seus fixadores são duas cabeças de caveira que, quando o freio é acionado, acendem os olhos vermelhos.

Além disso, a TL também é equipada com buzina “fiu-fiu” de paquera e, por baixo, é inteiramente envernizada na cor dourada. Mas quem pensa que os planos de Jéferson para o modelo da Volks se encerraram está enganado. “Ainda quero instalar duas lâmpadas pretas próximas aos alto-falantes localizados acima do motor. Dessa forma, vai simular uma luz de boate em seu interior”, revela o mecânico.

Ele vende

Jéferson garante que sua TL é capaz de deixar envergonhados donos de carros mais novos e potentes. Isso, conforme o mecânico, pelo seu “excelente” desempenho na estrada. “Para ela, chegar aos 160 km/h é sopa. Por isso, já cansei de deixar para trás veículos modernos”, afirma ele.

Apesar disso e do fato dela e da lambreta serem seus xodós, o mecânico jura que se surgir uma boa proposta ele as vende. Nesse caso, a bagatela de R$ 12 mil já é suficiente para o interessado levar para casa a TL. É mais um negócio “imperdível.”

Perfil

Nome Jéferson Donizeti Bortoloti Idade 30 anos Profissão Mecânico Hobby Carros antigos Lugar para passear Porto Ferrão, em Pongaí (SP) Time do coração

“Nenhum, pois não gosto de sofrer.” Quem você nunca levaria como passageiro na TL ou na lambreta?

“Meus dois Filas brasileiros que tenho latindo lá em casa.” E quem você faria questão de levar nelas?

“O Lula, pois já assisti uma entrevista em que ele revela que já teve uma TL do mesmo ano que a minha.” O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?

“Os buracos.” Que nota você daria aos motoristas bauruenses?

“Sete.”

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