Tribuna do Leitor

21/9 - dia de todos os anos. Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência


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Ontem foi um dia como outro qualquer, mas parece que alguém, provavelmente um político, fez aprovar uma lei no Congresso Nacional instituindo essa data como o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência. A lei federal tem o número 9.486 de 04/03/97. Pergunto, será que só esse dia 21 de setembro é o Dia de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência? Lógico que não, é obvio! Acredito que todos os dias são o dia de luta daqueles que vivem uma condição especial de vida. Os deficientes auditivos, físicos, mentais, visuais, múltiplos e os orgânicos. Torna-se muito difícil conscientizar todos para que lutem pelos seus direitos de serem atendidos com dignidade e respeito pelos serviços de saúde, transportes, educação e etc. É também muito difícil conscientizar aqueles que prestam esses serviços a atender os portadores de deficiências com dignidade e respeitos porque a maioria está mais preocupado com os custos e benefícios. Enfim, o que interessa para essas pessoas é o lucro e o resto que se dane. As coisas são tão difíceis que eu conheço um presidente de uma entidade de defesa e apoio ao deficiente que simplesmente não luta para levar informações, esclarecimentos e nem os direitos a que têm os seus colegas deficientes. Ele sabe que todos os seus colegas e os seus familiares têm o direito de serem tratados com respeito e dignidade. Esse presidente quando vê os seus colegas serem negligenciados ou maltratados, responde aos seus colegas, rindo: Que nada, é assim mesmo, quando é cobrada a sua responsabilidade. E ai de alguém que questione a sua autoridade de presidente. Ele responde: Eu sou o presidente aqui, quem manda sou eu! E ai daqueles que na sua entidade colaborem para esclarecer que todos têm direitos e deveres e ai daqueles que tentar ajudar ou esclarecer os seus colegas que também são deficientes. Para esse presidente, o que importa e ficar de bem com as pessoas que são os donos dos serviços, não importa que seus colegas morram por falta de atendimento ou por negligência. Com tudo isso sabemos o quanto é importante a nossa luta do dia-a-dia, as conquistas que realizamos em relação as pessoas com deficiências são poucas, ainda existe muito preconceito e indiferença. Aqui em Bauru ainda há muito a avançar. Basicamente estamos presos a alegação das autoridades municipais de que faltam verbas. As nossas grandes reivindicações são as seguintes.

1- Proporcionar a acessibilidade instalando mais rampas em todas as esquinas da nossa cidade, principalmente na área central e nos principais corredores. Sabemos que cada rampa instalada tem o custo de R$ 200,00 (duzentos reais).

2- Fazer cumprir a lei municipal e a lei federal que obrigaM as empresas de transporte coletivo urbano da nossa cidade a oferecer ônibus adaptados com elevadores e Vans adaptadas com elevadores para atendimento no transporte especial, o chamado de “Agendamento”. Sabemos que o custo da adaptação de cada ônibus é alto; aproximadamente R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Mas terão que fazer, pois é um direito constitucional. Essas empresas têm condições de fazer a adaptação porque faturam alto e se fosse o contrário eles não estariam aqui na nossa cidade com todos aqueles ônibus novos .

3- Treinamento dos funcionários dos órgãos públicos, professores, inspetores de escolas, policiais e os profissionais da saúde em Linguagem Brasileira de Sinais, logicamente só para aqueles que fazem atendimento ao público e que eventualmente vão atender as pessoas que são surdas e mudas. A capacitação também tem um custo alto: custo de um curso básico, aproximadamente de R$ 250,00 a R$ 350,00.

4- Instalação de pista táctil ou pista guia nas calçadas e nas travessias de ruas e avenidas para os cegos usarem. Sinais sonoros nas esquinas nos sinais de trânsito para os cegos usarem.

5- Proporcionar um programa de apoio, informação e esclarecimento às pessoa acometidas e aos seus familiares a respeito da doença renal, diabetes, câncer, hemofilia.

Ë necessário que se rompa os preconceitos em relação aos portadores de deficiências mentais, não confundir deficiência mental com doenças mentais, uma classificação é diferente do outra, até na forma de tratamento e atendimento. É necessário esclarecer que o simples fato das pessoas terem uma deficiência qualquer lhes dá o direito a tudo, é necessário esclarecer que os benefícios sociais como o passe gratuito nos ônibus é dado para as pessoas com deficiências e carentes. Já imaginaram se amanhã todos levantarem querendo benefícios de todo tipo porque é mulher grávida, assistente social carente com salário baixo, jornalista mal pago, carteiro carente, bóia-fria sem trabalho, desempregado crônico, vagabundo por opção, professor da Rede Pública, taxista com perna curta, lixeiro, artista plástico, ator sem teatro, ex-vereador e etc. Exageros à parte, acredito que é necessário esclarecer que os benefícios são dados a alguém necessitado. Sabemos que todos querem se beneficiar de alguma forma, mas as pessoas com deficiências querem o mínimo necessário para que possam viver, estudar, capacitar-se profissionalmente, desfrutar de um lazer comum a todos, mas para que tudo isso aconteça é necessário que as pessoas portadoras de deficiências tenham conhecimento de seus direitos e deveres e a nossa sociedade ter a consciência de eliminar os preconceitos e as indiferenças. Todos os dias são dias de luta para todos nós. (Francisco Takao Kajino – RG 8.858.884-1 – Coordenador Geral do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência de Bauru – Comude)

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