Articulistas

A poluição das armas


| Tempo de leitura: 2 min

Em meio ao incessante soar dos tambores de guerra contra o terrorismo, um ano depois dos ataques de 11 de setembro em Nova York e Washington, grupos civis alertam sobre um tema pouco discutido: o impacto do armamentismo sobre o meio ambiente. Em todo o mundo, os gastos militares chegam a US$ 900 bilhões por ano, quantia semelhante ao que era gasto, em média, durante a Guerra Fria, segundo cálculos da Organização das Nações Unidas.

O impacto do armamentismo não foi incluído na agenda de mais de cem chefes de Estado e de governo que participaram da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que terminou no dia 4 de setembro, na África do Sul, em meio a condenações das ONGs do mundo. Em junho, durante a última rodada de negociações preparatórias para a Cúpula, realizada em Bali, na Indonésia, muitas organizações não-governamentais propuseram que os governos se comprometessem a reduzir seus orçamentos militares em pelo menos 5% durante cinco anos. Porém, a iniciativa caiu no vazio.

Os pacifistas argumentam que um modo de contribuir para o desenvolvimento racional é deter o fluxo de armas das nações industriais para os países pobres, onde a maioria da população vive com menos de um dólar por dia. Entre 1992 e 1999, o mundo em desenvolvimento comprou todo tipo de armamento por um valor superior a US$ 200 bilhões, enquanto os Estados Unidos foram o principal fornecedor de armas nos últimos cinco anos, segundo o norte-americano Centro para a Informação sobre Defesa. Desde janeiro, o mundo sofreu 37 grandes conflitos armados.

As sete potências atômicas do mundo possuem mais de 17 mil ogivas nucleares, 93% das quais pertencem a Estados Unidos e Rússia. China conta com 400 ogivas, a França com 348, enquanto Israel e Grã-Bretanha com 200 cada um. Estima-se que a Índia possua mais de 30 ogivas nucleares e o Paquistão mais de 40, segundo o instituto de estudos Sipri, que reúne informação sobre produção e exportação de armas.

Entretanto, a corrida para gastar dinheiro vai além do desarmamento nuclear. Os Estados Unidos planejam investir mais de US$ 100 bilhões na pesquisa e desenvolvimento do sistema nacional de defesa com mísseis, segundo o Centro para a Informação sobre Defesa. Enquanto isso, mais de um bilhão de pessoas não têm acesso adequado a água potável e saneamento e mais de três milhões morrem por ano devido a enfermidades ligadas ao consumo de água contaminada, segundo dados da ONU. (O autor, Haider Rizvi, é correspondente da Inter Press Service)

Comentários

Comentários