Bairros

'Gatos' roubam energia, água, telefone...

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O que parece ser apenas um golpe para tirar proveito de uma situação e economizar alguns reais é um crime passível de prisão e multa. Fazer uma ligação clandestina, seja ela de energia elétrica, água, telefone ou tevê a cabo causa prejuízo não só para a empresa prestadora de serviço, como para toda a comunidade.

As companhias do setor não sabem contabilizar quais os prejuízos trazidos por esse tipo de contravenção, mas afirmam que ela ocorre com certa freqüência em todos os lugares do País, independentemente de classe social. “A gente descobre essas ligações até em empresas”, diz o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, Luiz Augusto de Oliveira Castro.

Os tipos mais comuns de ligações clandestinas são as de energia elétrica e de água. Um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que, em todo o País, 10% dos consumidores de energia não pagam pelo que usam. São pessoas que dão o famoso “jeitinho brasileiro” para burlar a cobrança das prestadoras de serviços e utilizam o bem sem arcar com os seus custos.

A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) não tem dados regionais, mas afirma que os “gatos” (como é conhecida essa prática) dão prejuízos para todo o mundo. “Em uma ligação clandestina todos perdem. A empresa, que pode ter problemas em sua rede elétrica, como sobrecargas. E o morador, uma vez que não há dispositivos de segurança”, destaca um comunicado da assessoria de imprensa da empresa enviado à reportagem do JC nos Bairros.

Já o DAE tem um levantamento mais preciso sobre a pirataria. Através de fiscalização, a autarquia descobriu, neste ano - de janeiro a agosto - 1.047 irregularidades na ligação de água. A maioria delas refere-se de cortes violados, ou seja, quando o morador ignora o lacre colocado pelos fiscais em seu hidrômetro e religa o fornecimento de água.

No mesmo período, foram registradas 75 ligações clandestinas de água na cidade. Em uma delas, o morador fez um encanamento de mais de 20 metros, passando dentro do terreno do vizinho, para levar o líquido da rede municipal até a sua residência. â€œÉ um trabalho de profissional. Um leigo não saberia fazer isso”, constata Castro.

Decodificador

A pirataria já foi mais intensa no setor de tevê a cabo. De acordo com o gerente regional de operações da Net, Fernando Boin, atualmente a incidência de ligações clandestinas é praticamente zero. “Já tivemos mais problemas, mas com o trabalho de um núcleo anti-pirataria conseguimos minimizar essa prática”, destaca.

Ele também não tem dados sobre esses casos em Bauru, mas diz que, no interior, é bem mais fácil lidar com esse problema. “Como a quantidade de instalações é menor do que nas capitais, temos mais condições de descobrir o problema”, destaca.

A Net instalou há alguns anos um controle eletrônico de distribuição de seu sinal, dificultando ainda mais as tentativas de pirataria. Através do decodificador, a empresa envia o seu sinal apenas para os clientes cadastrados.

No setor de telefonia, a pirataria também existe, mas não há dados mais concretos sobre o setor. A Telefonica prefere não se manifestar sobre o assunto e não divulga dados a respeito de ligações clandestinas. No entanto, o técnico em telefonia Rubens Batista de Luna conta que existem muitos casos de fraudes envolvendo telefones públicos. â€œÉ o mais comum de se ver”, salienta.

O delegado Antonio Carlos Piccino Júnior, do 2.º Distrito Policial (DP) de Bauru, confirma essa premissa e diz que foi registrado um caso desse na delegacia neste ano. “A ocorrência envolveu um rapaz que transferiu o orelhão para dentro da casa dele”, ressalta.

De acordo com ele, a prática de se “puxar” uma extensão externa de linha telefônica é pouco utilizada hoje em dia. “Como tem bastante linha no mercado, as pessoas não precisam mais fazer isso”, destaca.

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