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Esportistas realizam projeto de uma academia popular na Vila São Paulo

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Moradores da Vila São Paulo acabam de ganhar uma academia popular. A idéia é de dois esportistas que têm como principal objetivo tirar jovens e crianças das ruas, das drogas e da marginalidade. Em troca, eles oferecem aulas de capoeira, jiu-jitsu, karatê, kung fu, boxe e ginástica localizada.

O projeto é uma parceria do pintor Cléber Botelho da Silva, 28 anos, e do marceneiro Alberto Domingos Marques, 24 anos, ambos esportistas desde a adolescência e credenciados pelo Conselho Federal de Educação Física. Segundo eles, a iniciativa visa oferecer uma opção de atividade saudável para a formação dos jovens.

Os professores contam que a academia foi montada num barracão abandonado que vinha sendo usado como ponto de prostituição.

“Procuramos a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) e eles disseram que o imóvel está em pendência judicial. Pediram para entrarmos em contato com o proprietário. Só que ele é coreano e está na Coréia. Como o barracão estava aberto, nós tomamos conta dele, fizemos uma reforma, cercamos e colocamos um portão”, conta.

A academia foi aberta há apenas uma semana e já tem 45 alunos inscritos (entre 3 e 36 anos de idade). Para participar, eles pagam uma taxa de acordo com a renda familiar.

Segundo Silva, o dinheiro será usado para custear despesas de água e energia elétrica. O tatame, aparelhos de musculação, esteiras e demais equipamentos são de propriedade dos próprios instrutores.

“Tenho um filho de 2 anos e o que desejo para ele, desejo para o filho dos outros. Vi muitos amigos meus se envolvendo com crimes e drogas. Hoje, a maioria deles está na cadeia e os outros morreram. As crianças estão se perdendo. Aqui, a gente pretende ensinar coisas boas, ensiná-los a ser cidadãos de bem”, reforça o pintor.

Apesar de nova, a iniciativa já ganhou a simpatia dos pais, como a doméstica Rosemeire Orejana, 30 anos. Ela matriculou o filho Ailton, de 9 anos, na aula de capoeira e diz que já percebe alguns resultados. “Ele está fazendo amizades e chega contando que o professor fala contra as drogas, contra a violência e sobre responsabilidade. Só espero que o projeto tenha apoio para ir em frente”, observa.

Questionados sobre isso, os instrutores confirmam que a academia não tem nenhum apoio oficial. “Os órgãos competentes não olham para a periferia e os políticos só aparecem em época de campanha”, lamentam.

• Serviço

A academia fica na quadra 10 da avenida Galdêncio Piola. As aulas são realizadas de segunda a sábado, das 19h às 22h.

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