O vereador José Clemente Rezende (PSB) diz que tem uma visão clara e objetiva da atuação de um político. Candidato à Câmara dos Deputados, ele propõe que seu mandato se torne uma parceria com a sociedade.
O parlamentar faz dobradinha com Tuga Angerami (PSB), que busca vaga na Assembléia Legislativa. Clemente foi filiado do PSDB por dez anos. Deixou o partido em 1999 para concorrer à eleição municipal pelo PPS.
Depois de eleito, se desentendeu com a cúpula da administração municipal, comandada pelo prefeito Nilson Costa (PPS). Ensaiou, junto com Angerami, retornar ao PSDB, operação abortada devido ao pouso de um outro grupo no ninho tucano.
“Se eleito, quero buscar uma parceria com a sociedade, independente de cores partidárias e paixões políticasâ€, afirma.
Para ele, o cumprimento de um mandato parlamentar deve ser feito em conjunto com a comunidade. “Não adianta eu propor um projeto de lei que seja magnífico, mas que saiu apenas da minha cabeça. Eu preciso trabalhar ao lado da sociedade.â€
Clemente acredita que é prematuro comentar sobre propostas concretas que pretende apresentar no Congresso Nacional.
O parlamentar explica que sua atuação na Câmara dos Deputados será direcionada de acordo com as necessidades de Bauru e cidades da região.
“Surpresa agradávelâ€
O vereador não enxerga traição política a seu eleitorado no fato de disputar a Câmara dos Deputados no meio de seu mandato na Câmara Municipal.
“A minha situação é diferente. Não estou deixando um mandato na Câmara Federal ou na Assembléia Legislativa para disputar um cargo municipalâ€, argumenta.
Clemente acredita que, numa situação como essa, o município e a comunidade perdem ao ficar desfalcados da representação em Brasília ou em São Paulo.
“No meu caso, não. A cidade vai ganhar um deputado federal. O meu suplente é de Bauru e, se precisar, vai assumir minha vaga na Câmara Municipalâ€, justifica.
O vereador lembra que a opinião pública tem comentado sobre sua atuação no Poder Legislativo como uma “supresa agradávelâ€. “Também quero ser essa surpresa agradável na Câmara Federal.â€
O socialista diz estar preparado para participar e levar a opinião de Bauru e região em relação aos grandes temas nacionais que vão ser debatidos no Congresso Nacional.
“Temos a reforma política, a Área de Livre Comércio das Américas, que é a Alca, a reforma tributária, dentre outros assuntosâ€, comenta.
Ele se coloca a favor da reforma político-partidária e defende a implantação do voto distrital. “Acho que essa reforma já deveria ter acontecido. Estão empurrando, mas não adianta, porque ela vai acontecer. Não se pode adiar maisâ€, afirma.
Embora seja uma questão já abordada no passado, Clemente acha que o País deveria adotar o parlamentarismo como forma de governo.
Ação popular
Clemente é o responsável por uma ação popular proposta pelo Ministério Público Federal para apurar possíveis irregularidades no pagamento da dívida do viaduto inacabado sobre os trilhos da Ferrovia Novoeste S/A.
O vereador explica que sua intenção é trazer de volta aos cofres públicos municipais parte do dinheiro pago ao Chase Manhanttan Bank, financiador de R$ 10 milhões para o início das obras.
“Com certeza, o julgamento dessa ação popular poderá devolver dinheiro suficiente para que as construtoras de Bauru e os empregados e desempregados da construção civil possam concluir essa obraâ€, prevê.
Ele avalia que esse processo é uma iniciativa de “sensibilidade socialâ€, já que o caso do viaduto foi dado por encerrado com a federalização da dívida que, na sua opinião, distribuiu no bolso de cada cidadão bauruense, pelos próximos 30 anos, “o pagamento de uma obra superfaturadaâ€.
Clemente explica que a Justiça Federal já ordenou ao município o encaminhamento de informações sobre o assunto.
“Mas o trâmite da ação será arrastado, porque a sede do escritório regional dos procuradores federais da Advocacia Geral da União (AGU) fica em Marília, o que dificulta a tramitação da açãoâ€, conta.
O socialista comenta que a prefeitura também não se interessou pela possibilidade de vir a ser restituída com a devolução do dinheiro de uma parte da dívida.