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Reflexões na hora amarga


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Antes de mais nada, seja-nos permitido dizer aos leitores que nos honram e nos estimulam com a leitura destas nossas “Reflexões”, que estivemos ausentes durante algum tempo devido a problemas de saúde, felizmente, ao menos para nós, já superados.

Hoje, que estamos de volta, gostaríamos de oferecer à análise pela inteligência dos que venham a ler-nos, um fato, que, entre outros, chama-nos particularmente a atenção. Queremos referir-nos à ausência, praticamente total, dos discursos de todos os principais candidatos à presidência da República da menção às questões que, parece-nos, são as verdadeiramente de fundo, no que tange ao futuro do nosso país. Por exemplo, o que é que eles pensam sobre o insuportável endividamento interno e externo, dentro de um projeto que nos tem arruinado e significado a prática de um neocolonialismo absolutamente absurdo e mais do que suspeito.

O que pensam os candidatos sobre a ameaça real à nossa soberania, hoje praticamente vilipendiada, de que é exemplo a entrega eventual da base aeroespacial de Alcântara, no Maranhão, em condições humilhantes e ameaçadoras, em troca de um aluguel que não poderá ser usado pelo nosso país, para financiar projetos espaciais próprios, e dependendo o acesso de brasileiros à área eventualmente alugada, de autorização das autoridades americanas, sendo que os “containers” destinados aos seus propósitos não poderão ser objeto de investigação e conhecimento das autoridades brasileiras? Afinal, hoje, indisfarçavelmente, o que está em questão é: pretendemos, ou não, defender a nossa soberania? Já viu o leitor algum dos candidatos tocar em assuntos dessa natureza? Certamente não. E sabe por que? Porque existe, efetivamente, um governo mundial já praticamente explícito, a que, aparentemente, se subordinam os candidatos, temerosos de, se tomarem outra atitude, terem desencadeado contra si o formidável poder influenciador da grande mídia, sobretudo eletrônica, que lhes frustraria as ambições de poder, de “chegar lá”, às quais servem, mais do que aos projetos e promessas que fazem.

Assim, parece-nos, o grande candidato a ser desejado pelos brasileiros chama-se nacionalismo. Só ele é capaz de contrapor-se ao internacionalismo que, agora, apresenta-se sob o rótulo de globalização. Repare o leitor, por exemplo a questão da Alca, que o plebiscito conduzido por entidades respeitáveis, como a CNBB, por exemplo, mostrou que, no universo de dez milhões de votantes, mais de 98% se manifestaram contra e, da mesma forma, contra o projeto da vergonhosa entrega de Alcântara. Vê-se, por aí, o divórcio total entre a vontade do povo e a orientação do governo em matéria de política externa.

No caso da Alca, e para que se tenha uma medida de quanto temos estado mais a serviço de interesses estrangeiros do que brasileiros, basta dizer que, no Brasil, os juros oficialmente praticados chegam a 18%, enquanto nos EUA, estão abaixo de 2%. Como poderão a nossa indústria e a nossa agricultura, competir com os produtos americanos? Quem, sobretudo no 1.º caso, detém o maior número de patentes e quem é capaz de produzir em maior escala? Entende o leitor o absurdo em que se constitui a tal Alca?

Amigo leitor, são os acima assinalados, alguns temas que submetemos à sua reflexão e à análise pela sua inteligência, hoje que voltamos a reencontrar-nos neste bravo “Jornal da Cidade”. (O autor, Jorge Boaventura, é colaborador do Jornal da Cidade. E-mail: brasil@jorgeboaventura.jor.br)

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