A mídia tem um importante papel para a economia do Brasil no próximo ano: o de fortalecer os laços entre anunciantes e consumidores, com o intuito de fomentar o crescimento financeiro e o desenvolvimento do País. Este foi o principal assunto do painel “Ação e reação em comunicação - Como planejar 2003?â€, apresentado no primeiro dia (ontem) do 12.º Encontro Internacional de Comunicação - Maximídia 2002.
O evento está sendo realizado até quinta-feira no Transamérica Expo Center, em São Paulo, reunindo grandes nomes nacionais e estrangeiros do setor.
O painel de ontem contou com a participação do consultor internacional sênior da Merrill Lynch & Co. e presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Marcílio Marques Moreira, e do presidente do Grupo Abril, Maurizio Mauro. Eles falaram sobre as perspectivas do setor para o próximo ano e traçaram um perfil de como a mídia tem de se comportar nesse novo cenário que deve surgir depois das eleições brasileiras.
Para Moreira, o mais provável é o que o País se consolide em uma posição estável, sem grandes desastres. “Acredito que essa seria a tendência mais viável diante do que vemos no momento. Ou seja, haveria uma estabilização do processo econômico, mas sem grande crescimentoâ€, salienta.
Ele destaca que o grande risco para o Brasil não é cair no abismo, mas se contentar com o meio termo e não apostar nas oportunidades. “Nós temos condições de nos colocar em uma posição de destaque no cenário internacional. As oportunidades são grandes e, se não aproveitarmos, corremos o risco de perder mais quatro anos em vãoâ€, ressalta.
Moreira salienta que a mídia deverá, mais do que nunca, estar preparada para os imprevistos. “Este é um sistema de aprendizado e o setor deve tirar proveito de cada situação para crescer e buscar novas soluções para os seus clientesâ€, frisa.
Maurizio Mauro cita, por exemplo, que apesar de toda a instabilidade financeira, existem áreas que estão em franco desenvolvimento. “O número de internautas continua em ascenção e isso mostra que é possível se desenvolver. Basta apostar em mudanças estruturais e buscar clientesâ€, diz.
Para o presidente do Grupo Abril, o que o anunciante tem de levar em consideração é que o consumidor está mudando e não é mais o mesmo de antigamente. “As pessoas estão sendo bombardeadas por informações e, com isso, estão adotando outra postura diante do mercadoâ€, explica.
Ele acredita que existe uma boa receptividade às novas tecnologias e que as pessoas reagem positivamente às mudanças de estratégia da mídia.
Conteúdo
De acordo com Mauro, os veículos de comunicação precisam, além de criar novos meios de atrair a atenção dos anunciantes, ficar atentos ao que estão produzindo. “Em primeiro lugar, precisamos ter lealdade com o público, que é o nosso alvo principal. É assim que vamos conseguir a sua fidelização ao produtoâ€, salienta.
Ele destaca que um conteúdo atrativo garante a credibilidade e aumenta as chances do anunciante ter o retorno esperado. “As empresas carecem de números sobre a eficácia de seus anúncios. Como ainda não há uma tecnologia que permita medir isso com exatidão, o retorno tem que se dar através da credibilidade do veículo junto ao seu públicoâ€, afirma.
Questionado sobre o lançamento de uma nova revista, previsto para ocorrer em breve, Mauro foi incisivo. Ele salientou que o mercado não deve ficar parado diante da instabilidade financeira. “Nós temos que apresentar novos caminhos para os anunciantes. Por isso, investimos em uma fórmula que já está dando certo em outros países e acreditamos no sucesso aqui no Brasil.â€
Ele não acredita que a Internet possa “desfalcar†os meios impressos, como muita gente pensa. “Um complementa o outro e nós temos o exemplo disso com as nossas publicações. Os sites das revistas só fortalecem os nossos produtosâ€, frisa.
Enviada especial do JC