Polícia

Soldador confessa ter matado por R$ 30,00


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O soldador Márcio Jonas da Silva, 30 anos, se apresentou ontem à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru. Ele confessou ter matado o montador Paulo Cândido de Lima, 32 anos, no último final de semana, no Núcleo Edmundo Coube, por causa de uma dívida de R$ 30,00.

Silva entregou o revólver calibre 38 que ele diz pertencer à vítima e com o qual afirma ter feito os disparos que mataram Lima. O motivo do crime, segundo contou o soldador à polícia, foi um desentendimento por causa de uma transação de compra e venda de uma bicicleta.

A falta de pagamento da segunda parcela da bicicleta teria levado Lima a cobrar Silva. O rapaz contou, em depoimento, que conhecia a vítima havia seis anos, que moravam próximos, porém não eram amigos e nem inimigos.

Há cerca de um mês, Lima teria procurado Silva para vender uma bicicleta por R$ 50,00. “Paguei R$ 20,00 e fiquei de pagar o restante na outra semana”, conta o rapaz que confessou o homicídio.

Silva relata que, como não pagou no dia combinado, Lima achou que a dívida deveria ser aumentada. “Tentei pagar os R$ 30,00 e ele dizia que eu devia mais. No dia 13 de setembro voltei a procurá-lo com a intenção de fazer o pagamento. Ele recusou-se receber”, afirma.

Neste mesmo dia Lima teria ido à casa de Silva e como ele não estava teria dito a sua mulher que iria matá-la, assim como sua filhas, caso ele não quitasse a dívida. “Ao sair ele fez um disparo de arma contra o portão de minha casa. Me senti ameaçado”, sustenta o réu confesso.

No dia do crime, Silva afirma que saiu de casa com a intenção de ir ao mercado, por volta das 20h, quando viu Lima na esquina das ruas Luiz Bortoliero Neto com Benedito da Silva. O réu confesso diz que tentou atravessar a rua para evitar o encontro.

“Tentei passar para outro lado, porém ele (Lima) atravessou a rua e foi me pegando pela camisa e começou a me cobrar. Entramos em luta corporal”, afirma. Silva relata que estava atracado com a vítima, quando ela teria sacado a arma.

“Eu o segurei e tirei a arma dele. Dei vários disparos. Senti que o corpo dele foi amolecendo e ele caiu. Fugi levando o revólver e me entreguei porque estou arrependido”, alega.

Segundo o titular da DIG, delegado J.J. Cardia, o réu confesso vai responder por crime de homicídio doloso, em liberdade. (Rita de Cássia Cornélio)

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Depoimento contradiz testemunha

O depoimento de Márcio Jonas da Silva, que ontem confessou ter efetuado os disparos que mataram Paulo Cândido de Lima, contradiz testemunhas do crime que foram ouvidas no 4.º Distrito Policial.

De acordo com o delegado Dinair José da Silva, que apura o crime, testemunhas afirmaram que duas pessoas efetuaram disparos contra Lima e que uma terceira deu fuga à dupla.

A versão de Silva, de que ele efetuou os disparos com a arma da vítima durante uma luta corporal com ela, é vista com reservas pelo delegado. “Vemos essa versão como uma defesa do acusado porque é contraditória com os autos”, explica.

O delegado aponta ainda uma outra contradição no depoimento de Silva. “Temos nos autos que o motivo do crime foi uma desavença por causa da compra de uma bicicleta, mas porque Silva não estaria disposto a pagar o valor combinado”, diz.

O réu confesso, de acordo com os depoimentos colhidos no 4.º DP, queria pagar R$ 10,00 a menos pela bicicleta. “Pelos depoimentos que já tomamos, Silva comprou a bicicleta por R$ 60,00, pagou uma parcela de R$ 20,00 e na segunda, ao invés de pagar R$ 40,00, ofereceu R$ 30,00. A vítima teria reclamado os R$ 40,00, o que teria gerado a desavença”, completa.

Diante das contradições, a polícia continuará as investigações. O delegado avisa que as outras duas pessoas apontadas como envolvidas no crime estão sendo procuradas. Além disso, ele não descarta solicitar a prisão temporária dos acusados. O delegado tem um mês para concluir o inquérito. (Ieda Rodrigues)

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