Articulistas

Há males que vêm para bem?!...


| Tempo de leitura: 3 min

É comum no dito popular ouvir-se dizer (em geral no bom sentido) da aceitação de certa maioria que “há males que vêm para bem”. Isto não significa estar-se certo de que poucos ou muitos males se prestarão a atos da satisfação humana. Trata-se, a nosso ver, de uma expressão geral e comum, envolvida na aceitação do bom sentido. Ou, ao contrário, dizer algo demonstrando certa dose de afeto ou carinho, que na maioria das vezes somente serve para preencher um assunto vazio. Enquanto se espera que o dito mal possa ou chegue a acontecer, algo que seja inteiramente todo mal, uma catástrofe. São formas de aceitação esperadas com um mínimo de malefícios (que mesmo havendo ocorrido), não causou a pior desgraça, isto é, algo que também poderia ter sido o pior, mas que foi resguardado. É, enfim, a melhor ótica que se possa aceitar em quaisquer tipos de males; felizmente, segundo o que de maneira geral as pessoas aceitam, até mesmo resultados de maus agouros. O procedimento da manifestação do próprio ego de cada um, segundo o desabafo de elogiar, negando o que teria querido dizer, expressando que o acontecido não foi tão mal, pois o fato estaria reconciliado com algo de bom, em um futuro não muito distante.

Quanto ao questionamento que aqui fazemos – estou certo de haver tomado a liberdade do prezado leitor – no sentido de que, até há poucos instantes, somente um (afeiçoado e amável leitor), haveria continuado curiosamente, até saber aonde iria chegar. É o que faremos na seqüência, aproximar entre si: “O mal e o bem”.

Assim, rememorando, uma das pri- meiras medidas elencadas no programa de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, ao ensejo da sua assunção à Presidência da República (1995), foi exigir do Senado (dentre mais providências), a “reforma tributária”. Assunto sério porque necessário e de suma importância, razão porque todo Brasil esperava contar com a urgente reforma na economia brasileira, que, porém, jamais foi concebida. Tudo teria ido água a baixo, porque os entraves políticos e de intolerantes gastos abusivos colidiram com o bom senso já no primeiro mandato do governo, não obstante o presidente houvesse reclamado (tanto quanto pode), reiterando o que desgraçadamente não chegou a conseguir. O caráter regressivo teria falado mais alto no conceito do sistema tributário brasileiro, mantendo-se os tributos indiretos sob baixa participação em relação aos impostos diretos sobre a renda. Sem falar na alta participação dos impostos indiretos, comparativamente aos níveis dos países desenvolvidos do mundo. No emaranhado sistema político, presente no Legislativo (composto por membros da Alta Câmara do Congresso Nacional), que geralmente falam mais alto pelos interesses próprios e de particulares, ou até de nepotismo.

Assim sendo, a esperada reforma tributária (reclamada por Fernando Henrique em todo seu primeiro mandato), acabou indo para as cucuias no segundo mandato. É assim que no Brasil ainda temos os mais caros tributos do mundo, que inserimos (sobre a composição dos tributos em %), que segue. Impostos Indiretos: BR=46,37, EUA=16,2, UE=30,2; Impostos Diretos: BR=32,53, EUA=49,5, UE=35,9. Total de Impostos: BR=78,9%, EUA=65,7%, UE =66,1%.

Sob o apoio do dito popular..., espero que o mal do passado nos traga (não um, mas dois bens: I - primeiro o melhor dos presidentes; II- segundo, que enfim, se faça a esperada reforma tributária. – Fico por aqui. (O autor, José Almodova, é professor M.Sc. Unesp/Bauru. É jornalista e colaborador do JC. Escreve às quintas na coluna)

Comentários

Comentários