Economia & Negócios

Presidente da Abert critica situação de comodismo do mercado publicitário

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) Paulo Machado de Carvalho Neto criticou o posicionamento do mercado publicitário com relação aos investimentos em rádio. â€œÉ uma questão de comodismo. Como a televisão abrange um público num nível mais amplo, os anunciantes optam por investir sua verba nesse veículo, esquecendo-se do alcance e da credibilidade do rádio”, diz em entrevista à reportagem do Jornal da Cidade.

A crítica é um desabafo do setor por causa da pouca atenção que seus representantes acham que ele recebe por parte das agências de publicidade e grandes anunciantes do País. Para Machado de Carvalho, como o rádio é uma mídia mais segmentada, o mercado prefere se concentrar em um todo, sem vislumbrar as possibilidades de atingir consumidores em uma esfera mais comunitária.

“Uma rede de televisão representa várias emissoras simultaneamente. O rádio é uma coisa mais individualizada e dá um pouco mais de trabalho para se fazer. Mas o que temos percebido é que esse trabalho vale a pena porque o resultado que o rádio dá é fantástico”, afirma.

Ontem a Abert comemorou, durante o 12.º Encontro Internacional de Comunicação - Maximídia 2002 -, os 80 anos de fundação do rádio no Brasil. Entre as principais atrações do dia, a entidade promoveu a entrega do 4.º Prêmio de Criatividade em Rádio, do Grupo de Profissionais do Rádio.

Carvalho Neto destaca que a data é muito importante para a categoria, já que nessas oito décadas de existência o rádio teve que enfrentar muitas mudanças e alterações no seu conceito. “Nós podemos dizer que somos um dos pioneiros na história do rádio mundial. E conseguimos atravessar todos os percalços do caminho sem nos abater”, frisa.

A chegada da televisão e, mais recentemente, da Internet, não tirou o poder de comunicação e integração que o veículo tem, segundo destaca Carvalho Neto. “O rádio é um veículo integrador e tem uma forte interatividade com os seus ouvintes. Assim como outros meios de comunicação, ele tem facilidade para se adequar à modernização e seguir em frente.”

A primeira transmissão radiofônica oficial brasileira foi realizada em 7 de setembro de 1922, com um discurso do então presidente Epitácio Pessoa, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Independência. Um ano mais tarde foi fundada a primeira emissora, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, pelo antropólogo Edgard Roquete Pinto e Henry Morize.

No início dos anos 30, o Brasil já tinha 29 emissoras de rádio, transmitindo óperas, músicas e textos instrutivos. Foi nessa década que o veículo se firmou como meio popular de comunicação, com uma linguagem mais simples e direta e uma programação mais diversificada.

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