Pesca & Lazer

História de Pescador: Pescaria Inesquecível II


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O pessoal saía logo cedinho em dois barcos, sendo que um deles era sempre pilotado pelo caseiro Lori e o outro alternadamente pelos meus irmãos Chico Luzia e Fernando Lucilha Jr., que conheciam muito bem o local de outras viagens. Eu ficava no rancho tendo sempre a companhia do garoto Dinho, que muito me ajudava nas tarefas e era o meu cicerone nos passeios que fazia pelos arredores, já que ele conhecia tudo, pois era nativo do lugar.

Uma das coisas que mais gostava de fazer era jogar quirera de milho na frente do rancho e ver juntar centenas de pássaros das mais variadas espécies, predominando o Cardeal ou Galo da Campina, como queiram, que me proporcionavam um espetáculo difícil de se contar, mas impossível de ser esquecido. Mas, como sempre acontece, nem tudo foram somente flores nesta viagem.

Depois de arrumar a bagunça da noite anterior e preparar a comida para o pessoal que chegava sempre “matando cachorro a grito” de fome, eu pegava a minha tralha e descia a barranca me acomodando num velho barco de madeira à beira do rio para me divertir pescando e soltando mandiúvas e pacus prata, tendo sempre a companhia do “gago Dinho”, que era um exímio pescador e ria muito com a minha falta de jeito com o molinete.

No penúltimo dia da nossa estada no rancho, como de costume, lá fomos nós para mais uma tentativa em pegar um “bitelo” para também marcar presença junto aos demais pescadores. Passados alguns minutos, fisguei um enorme cascudo, que, na realidade, não era cascudo e sim um armau, mas eu não sabia.

Tirei o danado d’água e na minha “santa ignorância” peguei o “baita” com a minha mão esquerda de maneira que os dois ferrões ficaram sobre o polegar e o indicador, enquanto tentava, com a direita, tirar o anzol da boca do “cascudo que não era cascudo”.

O garoto arregalou os olhos estupefato e tentava me falar da tremenda imprudência que eu estava cometendo com aquele meu gesto. Demorou exatamente o tempo suficiente para que o peixe arriasse os dois ferrões nos meus dedos produzindo dois profundos cortes por onde o sangue fluía aos borbotões, que nada tinha de poético no termo aqui usado. Eu sacudia a mão tentando fazer com que o peixe soltasse os meus dedos e espalhava o sangue por toda parte ao meu redor. Graças a Deus o Dinho teve a brilhante e gloriosa idéia em pegar uma pequena torques na minha caixa de material e cortar os ferrões do armau que eu pensava que fosse um cascudo. Hoje, passados 20 anos do ocorrido, ainda trago bem visíveis as duas cicatrizes como testemunhas desse fato.

A única coisa boa do ocorrido foi que não precisei fazer mais nada no rancho até a nossa volta, quando passamos pelo pequeno hospital lá de Miranda para tomar uma anti-tetânica e fazer um curativo mais adequado e receber dois pontos em cada dedo. Foram mais de 15 dias para melhorar dos ferimentos e o resto da vida para nunca mais esquecer de que um armau parece um cascudo mais não é, e eu aprendi isso da pior maneira possível.

Assim sendo, só me resta dizer que esta também foi uma pescaria difícil de ser esquecida. Recebam todos o meu “piscoso” abraço e até a próxima, se Deus quiser - e ele há de querer. (Irineu Luzia Fernandes)

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