O Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa) protocolou junto ao Ministério Público Estadual novas denúncias contra a diretora da unidade da Fundação para o Bem-Estar no Menor (Febem) de Bauru, Edinéa Sita Cucci.
Ontem, o presidente do Sintraemfa, Antonio Gilberto da Silva, procurou o promotor da Infância e Juventude de Bauru, área referente a atos infracionais, Onilande Santino Basso, para pedir a apuração de episódios que estariam colocando em risco a saúde e a integridade física dos adolescentes lá internados.
No documento encaminhado ao Fórum consta que um dos internos foi vítima de agressão por parte de outros menores e que teve a cartilagem do tórax fraturada, mas só recebeu assistência médica cerca de oito dias após a ocorrência. No ofício ainda está registrado que a coordenação pedagógica solicitou, em vão, o apoio da diretoria da unidade para resolver o problema da violência dentro da instituição.
O sindicato também denuncia Edinéa por ela supostamente ter deixado de iniciar um procedimento investigatório e de socorro, depois que outro interno teria aparecido com o olho inchado e roxo, fruto de outros supostos atritos violentos promovidos dentro da unidade de Bauru.
A declaração protocolada ontem também acusa a diretora de ter contrariado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ao deixar um terceiro menor sem tomar banho e trocar de roupa por cinco dias como punição por mau comportamento.
Após receber o sindicalista, o promotor informou que vai instalar um procedimento preliminar para apurar as queixas, contudo disse considerar as denúncias estranhas, uma vez que tem feito visitas rotineiras à entidade e não tem observado situações anormais.
“Conversei com os meninos e os questionei expressamente sobre casos de violência. Eles sempre negaram. Contudo, como coincidentemente tenho outra visita agendada para amanhã (hoje), vou voltar ao assuntoâ€, explica Onilandi.
Segundo o promotor, se irregularidades no atendimento se configurarem entre os internos, o caso será levado ao juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintiguer.
Repercussão
O presidente do sindicato aproveitou para também encaminhar novas informações à primeira representação protocolada contra a diretora da Febem de Bauru. No final de junho, a entidade a acusou de utilizar funcionários da fundação para realizar serviços em sua residência, durante o horário de expediente.
Naquela época, o Sitraemfa levou ao MP informações de que Sita Cucci teria obrigado os funcionários da unidade local a participar de uma reunião com o candidato a deputado federal Caio Coube (PSDB), ambos integrantes do mesmo partido.
Já no ofício entregue ontem ao promotor da Cidadania, Fernando Masseli Helene, o sindicato encaminhou uma lista das atividades que os servidores da Febem teria exercido na residência de Sita Cucci.
O mesmo material ainda traz informações sobre a suposta imposição da diretora para que os funcionários assinassem uma lista abrindo mão de direitos trabalhistas conquistados através de recurso impetrado junto ao Tribunal Regional do Trabalho.
Ao JC, o promotor da Cidadania disse que hoje vai ouvir quatro funcionários e que até agora não dispõe de provas contra a acusada. Pelo contrário, segundo ele, só a diretora da unidade encaminhou material confirmando versão apresentada por ela. “As pessoas que ouvi até agora não garantiram a veracidade das denúncias, mas vamos continuar investigando porque o sindicato está preocupado com as supostas coaçõesâ€, explica.
A assessoria de comunicação da Febem nega todas as acusações e alega que o sindicalista está fazendo um jogo político para manchar a imagem de um trabalho sério que está sendo realizado no município.