Bairros

Falta investimento em atenção básica

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Os núcleos de saúde são fundamentais para garantir o atendimento básico à população em Saúde. Não se trata, portanto, de um modelo superado. O que falta é investimento.

Essa é a opinião de Aparecida Linhares Pimenta, que foi secretária de Saúde de Bauru de 1983 a 1988, na gestão de Tuga Angerami (PSB), e atualmente é titular da pasta de Saúde em Amparo (SP).

Durante o período em que trabalhou na Prefeitura de Bauru, na década de 80, o município passou a administrar os núcleos de saúde que antes eram gerenciados pelo Estado e, além disso, foram criadas as primeiras unidades básicas de saúde municipais.

Aparecida acredita que uma rede básica em bom funcionamento reduz significativamente a procura nos hospitais e pronto-socorros, que não são capazes de atender toda a demanda sem o trabalho dos núcleos de saúde.

“A rede básica teria que atender 85% dos problemas de saúde que a comunidade tem”, diz. “Essas unidades são importantíssimas para garantir o atendimento básico, a prevenção de doenças, a educação em saúde, a redução das internações de pacientes e o bom encaminhamento das gestantes, entre outros aspectos”, acrescenta Aparecida.

Eventuais falhas no serviço oferecido pelos núcleos de saúde podem, na opinião da ex-secretária, provocar o risco deles tornarem-se pronto-atendimento. Isso significa que sem o trabalho de prevenção que deveriam oferecer, a população recorre às unidades apenas em caso de necessidade, quando já apresentam sintomas de alguma doença.

Para Aparecida, uma das principais soluções para o caso é investimento. O número de unidades de saúde em uma cidade deve ser proporcional à população do Município, que cresce ano a ano. O último núcleo inaugurado em Bauru foi o do Parque Jaraguá, em dezembro de 2000.

“O núcleo de saúde continua sendo um desafio do SUS (Sistema Único de Saúde). Para isso, tem que ter investimento, bons salários, trabalho de prevenção”, salienta. “Não é uma idéia superada”, reforça.

Crescimento

A secretária municipal de Saúde, Sônia Fiocchi, afirma que a população de Bauru cresceu muito nos últimos anos e que não houve investimento proporcional. Atualmente, estima-se que mais de 70% dos munícipes sejam usuários do SUS - uma quantidade considerada grande e atribuída ao empobrecimento da população.

“Por um longo período, não houve investimento grande na área de saúde. Não há oferta de serviço proporcional ao número de usuários. Estamos tentando recuperar isso”, justifica Sônia.

A secretária diz que 21,4% do orçamento municipal são destinados à Saúde, que anualmente recebe cerca de R$ 28 milhões. A maior parte deste montante - 75% - vem do Município. Os 25% restantes são recursos estaduais e federais.

“O maior problema da Saúde hoje é que o orçamento anual dá para manutenção e não para investimento”, enfatiza Sônia.

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