“E aí, Zé? Combinada a pelada pra amanhã? E o sagrado chopinho do fim de tarde no bar da esquina?†“E como não, Tião? Amanhã, no horário de sempre, e com direito a pagode depois da partida!†Estão todos aliviados pelo fim de mais uma semana. Agora é só sentar e bater um papo com os amigos. “Fala aí, vocês já sabem em quem vão votar?â€
Pois é, a poucos dias da próxima eleição, os assuntos, onde quer que seja, começam a mudar. Uma nação inteira está querendo saber quem será o melhor governante para o País. Os mais otimistas sonham com um presidente que possa mudar completamente nosso Brasil em apenas quatro anos. Os mais desconfiados preferem votar em alguém que deixe tudo mais ou menos como está, para não ter perigo de piorar. Os descrentes não estão ligando muito, porque acham que o nosso país não tem jeito mesmo... E os sem cultura, que me perdoem, votam nos que fazem a propaganda mais bonita mesmo. Ou nos que beijam mais crianças.
Mas uma dúvida permanece na cabeça: será que realmente existe alguma diferença entre todos esses candidatos? Não estão muito parecidas todas essas propostas de governo? Até mesmo o candidato do PT, a “eterna oposiçãoâ€, anda mudando de discurso. Isso não parece estranho?
Agora pare um pouco e olhe para o título deste texto: não lhe parece muito atraente, parece? Mas ele guarda uma pergunta fundamental para que todas as anteriores sejam respondidas: o poder político do Brasil é realmente brasileiro? Será que somos nós mesmos que mandamos por aqui?
Pois a resposta é não. Pelo menos não parece normal que um país dependa tanto financeiramente de outro, e possa levá-lo politicamente do jeito que bem entender. E não parece normal um ministro desesperado fazendo todos os candidatos prometerem que vão cumprir os compromissos previamente estabelecidos.
Não parece normal também que ninguém queira fazer mudanças, sendo que a nossa situação não é nada boa. E o mais importante: como a política pode ser tão brasileira se o que mais ouvimos falar hoje em dia é em dólar, em ministro americano, em solução vinda de fora?
O poder político brasileiro é estrangeiro. Continuamos exportando problemas para importar soluções. E essas soluções são melhores para os de fora do que para nós. É por isso que no fim da noite, o Tião, o Zé e o Chico vêm sempre com a mesma conversa para o dono do bar: “Põe na conta!†(Luana Carolina Baio - RG: 34.855.396-1)