Regional

Policial é acusado de matar lavrador

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Areiópolis - Um investigador da Polícia Civil de Areiópolis é acusado de matar na madrugada de ontem o lavrador Edmar de Cássio Antônio, 21 anos. O crime aconteceu na Vila Cremer, em Areiópolis.

A família da vítima, baseada em depoimentos de testemunhas, afirma que Edmar estava voltando de um bar com um amigo quando foi abordado por um policial conhecido como “Virgílio”, que disparou contra o rapaz.

O irmão do lavrador, Wilson Antônio, 26 anos, não soube informar em que região do corpo o tiro atingiu Edmar. Ele disse que o rapaz sofreu uma parada cardio-respiratória antes de chegar ao Pronto-Socorro Municipal de Areiópolis.

Posteriormente, o corpo foi conduzido ao Instituto Médico Legal (IML) de Botucatu.

“Eles estavam em quatro e iam levar as meninas embora. O policial colocou-o contra a parede, sacou a arma e disparou. Ele não estava em serviço”, afirma Wilson. “Tem bastante testemunha disso”, garante.

O irmão afirma, ainda, que o policial saiu da cidade. “Ele não prestou socorro e desapareceu. Ele foi na delegacia, deixou a arma e os documentos e foi embora”, enfatiza.

Segundo Wilson, Edmar estaria há algum tempo sendo perseguido por Virgílio. “Eu só quero que os fatos sejam apurados com rigor”, reforça. Ele é o irmão caçula de uma família tradicional da cidade que tem 20 filhos. Entre eles está sua irmã gêmea.

Outra versão

O delegado Emerajal Torres, de Areiópolis, afirma que o crime aconteceu em decorrência de um flagrante de tentativa de furto. Dois investigadores estariam fazendo ronda no local quando viram dois rapazes que supostamente pretendiam arrombar a porta de uma quitanda que fica na rua José Bentivenha.

A porta não chegou a ser arrombada. “Eles pretendiam arrombar a porta do estabelecimento para pegar dinheiro e comprar droga. Estavam na iminência de arrombar”, afirmou o delegado.

No momento da abordagem, um dos rapazes teria fugido. Torres afirma que Edmar sacou uma arma para tentar reagir e Virgílio disparou. O delegado não informou ao JC o nome completo do policial acusado.

“A ação dele foi legítima. Tanto é que se não fosse, ele estaria preso”, afirma Torres.

Virgílio estaria usando um carro pessoal para fazer a ronda. â€œÉ uma praxe que nós temos. O policial plantonista anda com o carro dele. É comum”, diz.

No plantão policial, foi registrado um auto de resistência seguida de morte. Um inquérito foi aberto e as testemunhas serão ouvidas. Virgílio deve responder a uma sindicância administrativa.

A arma do policial, uma pistola semi-automática Taurus de calibre 45, foi apreendida, assim como a arma que supostamente seria de Edmar, uma bereta de calibre 635.

Torres afirma que o policial foi para Botucatu para prestar esclarecimentos na Delegacia Seccional.

De acordo com o delegado, Edmar era conhecido pelos policiais. Ele não soube, no entanto, informar se a vítima já tinha passagens anteriores pela polícia.

O irmão da vítima contesta a versão apresentada por Torres. “Isso é mentira. A namorada e as pessoas que estavam no local já foram até ameaçadas pelos policiais para não contar a verdade. O policial que matou o meu irmão está sendo encoberto”, destaca.

“Não é a versão que o delegado está contando. Ele está tentando encobertar o caso”, acrescenta Wilson.

O titular da Delegacia Seccional de Botucatu, Tadeu Campos de Castro, não quis falar sobre o assunto.

O corpo de Edmar foi velado ontem e o sepultamento será realizado às 9h de hoje, no cemitério da cidade.

Ameaça

Testemunhas da morte do lavrador Edmar de Cássio Antônio afirmam ter sido ameaçadas para não falar sobre o que sabem sobre o fato. A informação é de uma das pessoas que estava nas proximidades do local em que o crime aconteceu e que preferiu não se identificar.

O rapaz que estava com a vítima no momento em que foi abordada pelo policial civil teria sofrido agressões físicas para que ficasse quieto. “Pediram para ficar todo mundo em silêncio”, afirma.

A testemunha diz que Edmar foi baleado quando tentou virar o corpo para conversar com o policial.

Um conhecido de Edmar foi até o Pronto-Socorro Municipal (PSM), onde teria tomado conhecimento de que os policiais pretendiam levar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) de Botucatu sem comunicar a família a vítima.

Nesse momento, o rapaz saiu na tentativa de avisar os parentes. Ele teria sido detido e levado à delegacia, onde supostamente foi mantido por cerca de quatro horas, sofrendo ameaças sob a mira de uma arma de fogo para que não falasse nada.

O vereador de Areiópolis Gerson Olímpio Franco (PMDB), disse que o policial já havia sido acusado de agredir um menor de idade.

“Eu já tenho uma denúncia na câmara porque eu peguei ele agredindo um menor. Não é para bater. Se bater no menor, ele fica mais revoltado”, diz o vereador. “Quero ver se alguém toma alguma providência”, acrescenta.

O delegado de Areiópolis Emerajal Torres nega que testemunhas tenham sido ameaçadas por policiais para omitir informações sobre o fato.

“O povo agora fala tudo o que gosta. Eles não têm o intelecto que a gente tem”, observa.

O delegado acrescenta que teme que a casa do policial e a delegacia da cidade sejam incendiadas. “Nós estamos sofrendo ameaças”, diz.

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