Se não bastasse a disparada do dólar, estamos na eminência de um ataque norte-americano ao Iraque e a conseqüente disparada dos preços do petróleo. Se os altos preços dos barris de óleo importado já são um problema para a economia brasileira, imagine com a cotação do dólar nas alturas. É prenúncio de agravamento da crise, com ameaça de inflação alta, juros mais altos e queda na atividade produtiva, com mais desemprego, queda no consumo e mais crise. Dá para perceber o círculo vicioso em que se encontra o nosso País às vésperas de mudança de governo?
Os consumidores brasileiros já sabem que quando aumentam os preços do petróleo e dos seus derivados, todos os outros preços são pressionados, dando início a uma escalada de reajustes em produtos e tarifas, menos nos salários dos trabalhadores. Vale lembrar que a Petrobrás, até recentemente vinha reajustando os preços dos combustíveis a cada aumento do óleo importado, tendo chegado ao cúmulo de estabelecer um “gatilho†que, disparado, poderia resultar em aumentos semanais dos combustíveis. Essa política de preços só foi suspensa por causa da eleição que se aproxima.
Tudo que foi mencionado nas linhas acima fica cada vez mais incompreensível para o cidadão comum quando lê uma notícia como a que foi publicada nos jornais da semana passada, informando que o Brasil havia se tornado um país exportador de petróleo. Como, teria dito o leitor que paga o gás de cozinha e a gasolina sempre mais caros? A explicação vem da Agência Nacional do Petróleo (ANP), ao informar que o nosso País importou 21 milhões e 117 mil barris de petróleo em julho e exportou 21 milhões e 125 mil no mesmo mês, com um saldo líquido de sete mil barris. Ótimo, excelente, se poderia dizer. Só que as coisas não foram bem explicadas.
No decorrer da mesma notícia vinham outros dados que não mereceram destaque. O Brasil teve um pequeno saldo com a exportação de petróleo bruto, mas terá que gastar US$ 3,8 bilhões neste ano com a importação de derivados de petróleo porque a capacidade de refino do Brasil está esgotada. Resultado, somos obrigados a exportar óleo em estado natural extraído na bacia de Campos, e vender barato no mercado mundial, e importar derivados processados lá fora, carregados de valor agregado, pagando elevados preços em dólares e gerando emprego em outros países.
O mais estranho é que, mesmo diante de uma situação vexatória dessa, as nossas autoridades comemoram, ressaltam o fato de o Brasil se “transformar em exportador de petróleoâ€, sem deixar claro que ficamos na condição de exportador de matéria-prima sem valor agregado e importador de produtos elaborados por elevados preços, e em dólares.