O preço mínimo da cesta básica verificado em Bauru no mês de setembro foi de R$ 159,27. Com essa marca, nos últimos três meses o aumento da cesta em seu valor mínimo soma 12,24%. Considerando que a inflação acumulada de junho a agosto somou índice de 2% (pelo IPC da Fipe), o preço da cesta básica em setembro teve aumento real de 10,03% sobre a inflação do período.
O valor registrado em setembro é 0,9% mais alto que o do mês de agosto (R$ 157,80) e 14,05% superior ao de setembro do ano passado, quando o preço mínimo apurado foi de R$ 139,65. Em junho deste ano, o preço era de R$ 141,89 e, em julho, R$ 147,77.
Pela metodologia utilizada pelo Data-ITE, de acordo com os critérios do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), para comprar uma cesta básica no preço mínimo indicado pela pesquisa o consumidor terá que adquirir os produtos mais baratos de todos os supermercados que fizeram parte do levantamento, situados nas mais diversas regiões da cidade.
Além de todos os aumentos que se referem ao preço da cesta em setembro, trata-se também do valor mais alto já verificado desde que o Data-ITE - vinculado à Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE) - começou a fazer a pesquisa sobre o preço da cesta básica em Bauru, em julho de 1999.
Alimentação
Em setembro, o grupo alimentação somou R$ 119,01, o que significa alta de 2,01% sobre o mês anterior. Contudo, em agosto o grupo já havia registrado alta expressiva de 6,7%. O acumulado no ano desse grupo já chega a 19,04%.
Os itens que mais puxaram para cima as oscilações de preços na comparação entre setembro e agosto foram a cebola (+34,5%), o óleo de soja (+17,9%) e a farinha de trigo (+16%). No mês de agosto, os três grupos de produtos que compõem a cesta básica tiveram aumento.
O grupo limpeza doméstica somou R$ 23,68 em setembro. Esse valor é 1,46% inferior ao verificado no mês anterior (R$ 24,03). O grupo higiene pessoal fechou em R$ 16,58, valor 3,04% inferior ao registrado em agosto (R$ 17,10).
“Nesses dois segmentos, o estoque nos supermercados é maior, o que permite uma estabilidade de preços mais acentuada. Além disso, eles vêm registrando elevações todos os mesesâ€, observa o professor e economista Reinaldo César Cafeo, que coordena a pesquisa do Data-ITE juntamente com o professor Herman Vos.
Peso
O valor da cesta básica tem pesado demais no orçamento familiar. No mês de agosto, o preço mínimo apurado pelo Data-ITE consumia 78,9% do salário mínimo, que é de R$ 200,00. Em setembro, a cesta representou 79,63% do salário mínimo.
A discrepância verificada entre os preços mínimos e máximos dos produtos continua bastante elevada. “Nessa comparação, pudemos apurar durante a pesquisa oscilações absurdas de preços. É o caso da batata, que teve variação entre o valor mínimo e o máximo de 310,7%, e da farinha de mandioca, que chegou a oscilar 205,6%. No papel higiênico, essa diferença foi de 110,6% em setembroâ€, detalha Cafeo.
Para evitar essas discrepâncias, o economista afirma que continua valendo a velha prática de pesquisar preços.
“Pesquisar e buscar produtos substitutos mais baratos devem ser os caminhos para quem quer manter o consumo dos mesmos produtos e quantidades da cesta básicaâ€, orienta Cafeo.
Em setembro, a região que apresentou o menor valor da cesta básica (em seu todo) foi a região Central, com R$ 169,25 (6,26% a mais que o preço mínimo), mantendo a mesma performance do mês anterior. Já a região Sul ficou com o maior valor: R$ 189,86 (19,20% acima do preço mínimo encontrado pelo Data-ITE). Verifique os valores apurados nas demais regiões da cidade no gráfico em anexo.