Lendo o Jornal da Cidade de Bauru, analisemos o artigo “Agenda Perdidaâ€, de 21/9, do prof. José Alexandre Scheinkman, sobre o comportamento da economia brasileira nos últimos 20 anos. Ele mesmo, analisando-a, preparou um conjunto de sugestões para serem apreciadas pelos candidatos à Presidência. O nome “Agenda Perdida†é bem aplicada ao período avaliado e decepcionante, no qual o Brasil perdeu o rumo de seu desenvolvimento, incluindo-se os 8 anos de crescimento medíocre da economia no governo atual. Ele deve servir de ponto de partida para a reabertura do debate sobre estratégias de crescimento, interditado desde o lançamento do Plano Real de 94. Necessitamos examinar as razões, pelas quais o Brasil não cresce há 20 anos, mantendo níveis de desigualdades na distribuição de renda. Houve desorganização nos setores produtivos pela política cambial do 1.º mandato do atual presidente, impossibilitando um debate sobre os riscos que ela envolvia.
Estamos aumentando perigosamente a vulnerabilidade de nossa economia em relação ao exterior. Assim, o próximo governo terá que encontrar, logo no início, um caminho para retirar o país da armadilha da dependência externa. Só assim chegaremos à retomada da atividade econômica, da oferta de empregos, da recuperação da renda de todos. Delfim Netto ao escrever o artigo acima, comentado, nos diz que temos de eliminar o viés contra o crescimento que marcou as duas décadas, afirmando-nos que o remédio para a miséria e a má distribuição de renda é o desenvolvimento econômico.
Sobre o “desenvolvimento econômicoâ€, gostaria de dizer o que ouço na TV - todos eles falam da criação de empregos. Por que o governo acabou com os empregos, se esta é uma necessidade principal? Só na Fepasa, com suas 6 ferrovias, foram reduzidos os empregos de 10 mil para menos de 1.500, após sua venda. Antes transportava tudo, até gado e tinha um trem só para encomendas do comércio. Agora está caindo aos pedaços - trilhos, locomotivas elétricas abandonadas, etc. Acabaram com outras empresas - Telesp, Cesp, Baneser, etc. Nosso patrimônio, nas mãos do governo viram cabides de empregos, mas também não devem ser vendidas a preço de bananas e sim entregues aos nossos capitalistas, nacionais, na forma de economia mista, com a maioria das ações de propriedade particular. Como exemplo, tivemos a ex-Cia. Paulista de Estrada de Ferro, considerada a melhor ferrovia da América Latina. A maioria dos próprios ferroviários eram acionistas. Seus trens de passageiros faziam de Bauru a São Paulo em 6 horas e tinha um plano de fazê-lo em 4 horas. As oficinas estão desativadas. Só a NOB, em Bauru, tinha 1.500 servidores e reparavam carros e vagões anualmente, saindo novos. É preciso destacar os valores da tarifa de energia e a qualidade dos serviços, antes proporcionados à população. Hoje as oficinas NOB tem apenas 50 operários.
Uma sugestão, aliás ventilada por Lula - recuperação do nosso patrimônio. Que tal o restabelecimento das ferrovias? Que cada Estado tenha a sua ferrovia, no sistema de economia mista, com a direção e a maioria das ações nas mãos de particulares. A sua fala, em geral, é boa, inclusive com a Reforma Tributária, etc. (Heleno Cardoso Aquino - RG: 2.226.839)