Política

Nilson anuncia reajuste nos coletivos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Nilson Costa (PPS) revelou, ontem à noite, em reunião no Palácio das Cerejeiras, que a tarifa de transporte coletivo urbano vai sofrer reajuste nos próximos dias. Nilson deu posse ao novo comando do Conselho de Usuários do Transporte Coletivo Urbano e argumentou que as concessionárias do serviço público estão pressionadas com o aumento dos custos no serviço.

Apesar de confirmar a necessidade de recomposição da tarifa, o chefe do Executivo foi comedido e não arriscou falar sobre cifras. As três empresas que operam no sistema de transporte coletivo urbano protocolaram um pedido de reajuste na tarifa em julho deste ano. O processo está tramitando na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb).

O JC apurou que a recomposição da tarifa suficiente para eliminar os prejuízos na operação das linhas projeta um valor de R$ 1,30. Contudo, dificilmente o Executivo vai aprovar esta cifra. Ontem, ao dar posse ao conselho, Nilson elencou as dificuldades conjunturais enfrentadas pelo país, o aumento de insumos - como os combustíveis - e a manutenção do valor da tarifa de transporte coletivo nos últimos quatro anos na cidade.

Ao discursar para os novos membros do conselho, o prefeito apontou o cenário de dificuldades. “O conselho terá de desempenhar um trabalho de difícil solução. Vamos lidar com a tarifa paga pelos usuários e o crescente custo de vida. Percebemos que a estabilidade econômica do país está indo para o vinagre e a inflação está pressionando os custos”, cita.

O prefeito abordou que a tarifa do transporte coletivo esteve “congelada” em R$ 0,80 por praticamente 16 meses durante seu governo. O acordo foi obtido junto ao Ministério Público (MP) depois de uma escalada no valor do serviço praticada no governo anterior, de Izzo Filho.

Por outro lado, a manutenção da tarifa neste patamar agravou os prejuízos da Câmara de Compensação Tarifária (CCT), onde é calculado o custo do transporte coletivo urbano. A tarifa acabou evoluindo para R$ 1,00 depois de vários meses estagnada. O benefício para o usuário, de um lado, ampliou o déficit operacional. A CCT opera com prejuízo de mais de R$ 4 milhões.

O prefeito reconhece os problemas no sistema. â€œÉ claro que temos que tomar medidas que garantam o emprego dos trabalhadores, o bom funcionamento do sistema e que também não pese muito sobre o usuário, a população”, disse. A equação entre argumentos políticos e técnicos não é simples. Para recuperar o sistema atual, o reajuste na tarifa teria que ser de pelo menos 30%.

O presidente da Emdurb, Edmilson Queiroz Dias, informou que o estudo para a discussão do reajuste será entregue ao prefeito até o final da próxima semana. “Vamos estudar o assunto durante os próximos dias e encontrar um número que não afete ainda mais a operação das linhas pelas empresas e também não pressione por demais o orçamento familiar dos usuários”, adiantou.

Ainda que o Executivo anuncie um reajuste na tarifa, o problema no setor não estará resolvido. A Emdurb terá que acelerar a remodelação do sistema. Um estudo contratado há três anos pela própria empresa municipal (e até hoje não implantado) aponta que as linhas de ônibus coletivos em Bauru formam um emaranhado irracional de competição entre as próprias empresas, produzem um sistema caro e defeituoso.

A Emdurb quer aproveitar a definição sobre a concessão do serviço (a partir da licitação vencida pela empresa Grande Bauru) para definir um modelo de integração e racionalização das linhas. Antes disso é necessário reequilibrar o custo do sistema e remunerar as empresas levando-se em conta os aumentos de custos com despesas fixas como os combustíveis.

O prefeito ainda receia que o cenário da política econômica nacional pressione ainda mais os serviços públicos. “Estamos apavorados com a escalada do dólar e do risco Brasil. Vamos avaliar uma tarifa que reflita essa realidade e buscar um custo onde com a necessidade de mexer o mínimo na tarifa com o suporte do novo conselho de usuários”, pediu.

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