Tribuna do Leitor

Não abra mão do seu direito


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Eis que chegam as eleições e junto com elas tudo aquilo que tem de mais característico: santinho espalhado nas ruas, cartazes em postes e muros, outdoors, horário eleitoral gratuito, fuxico, guerrinha de nervos, lama no ventilador, promessas, soluções milagrosas, etc, etc, etc. É cada vez mais comum ouvirmos dizerem: “Se não fosse obrigatório, eu não votaria”; “Vou votar em branco”; “Vou anular meu voto”; “Não tem um candidato que preste”. Estas, entre outras frases comuns do momento, são o retrato de um povo calejado, cansado de depositar confiança e ser desapontado. Cansado de esperar por promessas que nunca são cumpridas. Cansado de pagar a conta dos erros administrativos, enquanto os que têm poder econômico só levam vantagens. Despreparado politicamente e mau acostumado por um sistema político distorcido e corrompido que se arrasta ao longo de nossa história, incutindo na cabeça do eleitor a relação de política com sujeira, falcatrua e sacanagem. As reações desse povo também são diversas e variam desde o “não estou nem aí”, até o “Vou levar vantagem”, passando por um pouco, cada vez menos, de idealismo e esperança. Como dizer a esse povo que a esperança está em nossas mãos? Como desenvolver-lhe um senso crítico saudável? Como prepará-lo para cobrar daqueles políticos que bateram à sua porta pedindo votos a sua obrigação: zelar pelo bem-estar da população em todos os sentidos? Parece tudo tão difícil que chega a desanimar, mas é justamente isso que não pode acontecer. É preciso encarar a situação com seriedade. Buscar informações sobre todos os envolvidos, procurar politizar-se e escolher um lado para ficar. Errar? É lógico que há possibilidade! quem nunca se enganou com aquele candidato que prometeu e não cumpriu? E mais: que traiu o povo e o país; que governou em proveito próprio; que roubou dos pobres para dar aos ricos... são pedras ao longo do caminho. Mas lembrem-se, também de tantas lutas gloriosas: revoluções, conquistas trabalhistas, juventude idealista, estudantes politizados, conquista de liberdade e participação. De repente, a liberdade ficou engaiolada e o povo, que pode dizer o que pensa, prefere calar. Os estudantes, vítimas de uma educação sucateada, não sabem nem por que lutar e mal compreendem a língua portuguesa. Este é o retrato do Brasil: gigante acorrentado, imóvel e intimidado! Façamos a nossa parte: que cada um se levante, encontre o seu lugar e cobre daqueles, que são nossos servidores, o dever que lhes outorgamos pelo voto: o de fazer política, no sentido mais puro e belo da palavra: pelo povo, para o povo e com o povo! (Erlaina Zampieri Neves - RG. 14.809.535)

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