A empresa administradora de hotéis Blue Tree confirmou ontem ter “muito interesse†em implantar um empreendimento da rede em Bauru. Na última quarta-feira, a gerência de desenvolvimento da empresa solicitou à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SDE) informações detalhadas sobre a cidade, como Produto Interno Bruto (PIB), número de hotéis, taxa de ocupação e permanência média nos últimos três anos.
De acordo com a gerente de desenvolvimento da Blue Tree, Maria Carolina Pinheiro, os hotéis administrados pela rede exigem um investimento de, pelo menos, R$ 8 milhões. Os empreendimentos da empresa são de quatro ou cinco estrelas, com características regionalizadas, e comportam um mínimo de 100 apartamentos.
Maria Carolina revela que, a partir dos dados da SDE, a empresa pretende analisar mais atentamente o desenvolvimento da cidade para, em seguida, procurar em Bauru e região parceiros para o empreendimento. “Acreditamos que Bauru tem realmente um grande potencial para ter um hotel da redeâ€, diz a gerente.
Maria Carolina ressalta que a Blue Tree não é proprietária dos imóveis, e sim administradora de hóteis, flats e resorts no País. “Nós estamos em busca de parceiros, investidores, construtores, incorporadores que queiram construir (em Bauru) um hotel da rede Blue Tree para nós fazermos a administraçãoâ€, declara.
Além de Bauru, cidades como Ribeirão Preto e São José do Rio Preto estão nos planos da rede.
Demanda
Para o presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Walace Garroux Sampaio, Bauru tem uma grande demanda para o turismo de negócios, daí a necessidade de um novo empreendimento hoteleiro. “Foi detectado pelo Comtur que o grande potencial de Bauru é o turismo de negócios. Esse setor exige grande estrutura, como salões, espaços e hotéisâ€, afirma.
De acordo com um levantamento quantitativo do setor realizado pelo Comtur, Bauru tem 28 hotéis urbanos, com 1.337 unidades habitacionais disponíveis. Segundo Sampaio, a taxa de ocupação dos hotéis é alta durante os dias úteis, mas cai nos finais de semana.
De acordo com o presidente do Comtur, há planos para “unificar†a agenda de eventos da cidade, de modo que não haja falta de vagas em algumas ocasiões, como já ocorreu. “Há pessoas que vêm a Bauru e precisam se hospedar em Botucatu, Jaú ou Agudos, porque naquela semana há dois eventos simultâneos na cidade e não há vagas disponíveis nos hotéisâ€, diz.
Ainda segundo Sampaio, o Comtur aguarda a liberação de uma verba de R$ 8 mil para disponibilizar um site voltado à área de turismo de negócios, desenvolvido em parceria com o Sebrae e a Universidade do Sagrado Coração (USC).
Na opinião do professor de hotelaria Paulo Renato de Paula Frederico, do curso de Turismo da USC, a chegada de um hotel nos moldes da rede Blue Tree deve acirrar a concorrência do setor em Bauru e, conseqüentemente, atrair para a cidade um maior número de turistas de negócios da região. “Um hotel desse porte atrai demanda, e os outros hotéis podem ser beneficiadosâ€, observa.
Frederico aponta que o público-alvo de hotéis como o da rede é formado, basicamente, por representantes comerciais e professores universitários que vêm fazer turismo técnico-científico na cidade. “Existe a demanda para negócios em Bauru, tanto é que ocorrem eventos de grande porte aquiâ€, observa.
Para o professor, Bauru deveria aproveitar a “sobrecarga†de eventos e negócios no município de São Paulo para planejar mais atentamente o desenvolvimento do turismo na cidade.
“Um hotel só vai sobreviver se houver negócios em Bauru. Como haver negócios em Bauru? Com empresas, que só existem se houver incentivos de alguma formaâ€, diz Frederico. E completa: “A tendência de Bauru, se for feito um planejamento interessante, é aumentar essa demanda.â€
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Perfil
A rede Blue Tree administra, atualmente, 21 hotéis em todo o Brasil, sendo três resorts e o restante voltado para o turismo de negócios nas principais capitais do País. A empresa foi fundada e é presidida pela empresária Chieko Aoki, ex-proprietária da rede de hotéis Caesar, e que trabalha há mais de 20 anos no setor.
De acordo com o professor de hotelaria Paulo Renato de Paula Frederico, do curso de Turismo da Universidade do Sagrado Coração (USC), as administradoras de hotéis chegaram ao Brasil na década de 70, mas só nos anos 90 ganharam força. Segundo ele, a principal característica dessas empresas é o “know-how†no gerenciamento.
“A administradora reúne investidores, abre o hotel e oferece o retorno. É uma coisa interessante para Bauru, que não tem um hotel desse jeitoâ€, avalia Frederico.