Ver um jipe rodando pelas ruas bauruenses é um fato até comum, em razão do expressivo número de admiradores dos 4x4 na cidade e na região. Entretanto, não é em qualquer lugar que se tem o privilégio de poder cruzar com um veículo do gênero que passou boa parte de sua história “servindo” em quartéis do Exército.
Em Bauru, o jovem Rubens Vieira Júnior, 18 anos, é um dos “sortudos” que têm estacionado em sua garagem um jipe Willys 1966 com tais características militares. O visual é inconfundível. Por fora, logo chama a atenção a tradicional cor verde oliva, marca registrada do Exército, e duas estrelas de cinco pontas brancas - uma em cada porta.
No interior, nada de conforto e sofisticação, como não poderia deixar de ser para um jipe. Além dos dois bancos para o motorista e passageiro, há o traseiro inteiriço para apenas mais dois ocupantes. No painel, além do velocímetro, os únicos itens a destoar do visual retrô são o CD e o volante menor instalado pelo jovem. “Como não estava a fim de ficar cercando galinha, optei por trocá-lo para facilitar a dirigibilidade”, conta ele.
No resto, incluindo o motor seis cilindros, o câmbio três marchas, com tração e reduzida, e os pneus, e excluindo a suspensão, que Rubens modificou por uma mais macia, o jipão é inteiramente original. Até mesmo nos acessórios, como o engate em forma de pinça e o anti-aéreo, o veículo conserva seus traços de fábrica.
O último, explica Rubens, é um equipamento, como o próprio nome já diz, utilizado para evitar que o jipe seja avistado por aviões. Pura tecnologia militar. “Uma lâmpada semelhante a um farol de milha, encoberta por uma proteção, faz com que o veículo ganhe uma espécie de camuflagem contra as aeronaves”, diz ele.
Boa parte desse bom estado de conservação do veículo deve-se à fascinação de Rubens por automóveis. “Sempre fui apaixonado por carros e meu pai já teve um jipe. Como já adorava qualquer coisa sobre quatro rodas, gostar dos 4x4 foi um pulo, pois também foi nele que aprendi a dirigir desde meus 14 anos”, conta o jovem.
O amor de Rubens pelos carros e, principalmente, pelo jipe é semelhante à sua vontade de tirar a carteira de habilitação. “Fiz aniversário em cinco de dezembro e no dia seis já estava na porta da auto-escola para dar entrada na carta”, revela ele.
História
Rubens revela que seu jipão Willys era utilizado para transporte de oficiais e manobras militares no 20º Batalhão de Infantaria Blindada de Curitiba. Comprá-lo, há cerca de quatro anos, foi quase uma obra do destino.
Ele relembra que seu pai, um advogado, viajava sempre para a mesma região do Paraná. Em certa ocasião, avistou o jipe parado em um porto. “Que eu saiba, o jipe estava parado porque o Exército tinha se desfeito dele para fazer dinheiro e renovar a frota. Dai para frente foi só descer, perguntar o preço e fechar o negócio. Compramos do jeito em que ele estava e demoramos 12 horas para chegar a Bauru com ele”, diz Rubens.
E hoje, segundo o jovem, depois de rodar cerca de 50 mil quilômetros com o Willys, o jipão dá apenas problemas corriqueiros de manutenção. “Nada de grave e que fuja daquilo absolutamente necessário à sua conservação, como os freios. Mas vazamento de óleo, por exemplo, nem sinal”, garante ele.
Vida dura
Engana-se quem pensa que a vida de um dono de jipe militar é um mar de rosas. Rubens chega a ser até confundido com oficiais de alta patente do Exército, pois atualmente freqüenta o Tiro de Guerra em Bauru. “Certa vez, estava fardado voltando para casa e policiais me pararam para cumprimentar pensando que fosse um coronel”, ressalta ele.
Além disso, o veículo torna-se quase sempre o centro das atenções por onde rode. Por isso, acaba fazendo com que Rubens dedique cuidados especiais com o jipe até em suas horas de lazer. “Quando saio para dar umas voltas na Getúlio, tenho que ficar sempre por perto dele, pois é um carro aberto”, justifica o jovem.
Outro assunto freqüente para o proprietário do Willys são as tradicionais perguntas sobre o jipe, como ano, tipo do motor etc. Mas a principal delas, se ele o vende, tem resposta na ponta da língua. “De jeito nenhum. Já me ofereceram R$ 15 mil e não aceitei”, diz Rubens.
Perfil
Nome Rubens Vieira Júnior
Idade 18 anos
Hobby Assistir a rodeios
Lugar para passear de jipe Ilha Comprida (SP)
Time do coração Corinthians
Quem você nunca levaria de carona no seu Willys?
“O Rodrigo caubói, do Big Brother. É um fresco que acho que não monta nem em carneiro.”
E quem você faria questão de levar?
“Já pensou eu e a Ana Paula Arósio andando de jipe na Getúlio Vargas?”
O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? A falta de paciência com os carros antigos, que normalmente são mais lentos que os outros. Muitos motoristas, mesmo quando estes encontram-se à direita da via, ficam dando sinal de luz e buzinando. Para mim, além de nervosismo, quem faz isso tem é dor-de-cotovelo também.”
Que nota você daria aos motoristas bauruenses?
“De zero a dez, dou cinco. Mas acho que 90% dos condutores daqui não conseguiriam andar em São Paulo, onde por incrível que pareça, o pessoal de lá te respeita mais no trânsito.”