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A mão invisível


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A política e o desenvolvimento humano seguem juntos como o cavalo e a carruagem, afirma o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), num recente relatório, intitulado Aprofundando a Democracia em um Mundo Fragmentado. Esse documento acrescenta que a política democrática é o melhor animal para a carruagem do desenvolvimento humano. Prova disso, assinala, é que 42 dos 48 países com mais alto desenvolvimento humano são democracias. Ao mesmo tempo, o documento adverte, ao oferecer uma dramática visão de conjunto do modo de governar em todos os cantos do mundo, que “as pessoas parecem ter perdido a confiança na eficácia de seus governos” e que “freqüentemente também parece estar perdendo sua fé na democracia”.

No International Millenium Survey, do Gallup, perguntou-se a mais de 50 mil pessoas em 60 países: “Você diria que seu país é governado de acordo com a vontade do povo?” e menos de um terço disse que sim. Também perguntou-se: “O governo atende a vontade das pessoas?” e apenas 10% disseram que sim. A Grã-Bretanha vai comparativamente bem na maior parte dos indicadores subjetivos: liberdades civis, direitos políticos, lei e ordem, e eficácia governamental. A exceção é a concentração de poder nos meios de comunicação de massa. O Reino Unido também cai na classificação quanto aos indicadores objetivos do Pnud. O número de eleitores britânicos está entre os mais baixos (59%) de todos os estados democráticos. A Alemanha, por exemplo, tem 82%, Grécia 76% e Espanha 71%. As mulheres têm apenas 17% das cadeiras no Parlamento. Este número é melhor do que o do Japão (10%) e dos Estados Unidos (13,8%), mas é pior do que o da Alemanha (31%), Espanha (27%) e Ilhas Seychelles (23%). O eleitorado, particularmente os jovens e as mulheres, receberam a mensagem. Se a “invisível (e inexplicável) mão” do mercado está distribuindo os recursos - para estradas de ferro, clubes esportivos e aposentadorias - então por que preocupar-se com governos, partidos políticos e processos democráticos? Mas ainda há muitos que acreditam que o mercado não deveria substituir a política e os governos democráticos.

Os países industrializados aumentaram suas rendas nas duas últimas décadas, mas na maioria deles, e de “modo mais constante e dramático no Reino Unido e nos Estados Unidos”, viu-se crescer a desigualdade. Assim, a “mão invisível” trabalha apenas para alguns. Isso se deve principalmente ao enfraquecimento dos vínculos entre a democracia e o desenvolvimento humano. Agora existe preocupação universal pelo “bom governo”, particularmente por parte de grandes corporações e do Banco Mundial, desesperados por sistemas legais que garantam os direitos de propriedade. Mas sua preocupação raramente se estende à noção de bom governo democrático. Se estamos a favor de “ampliar as possibilidades humanas”, afirma o Pnud, não podemos levar adiante a carruagem sem o cavalo certo. (A autora, Ann Pettifor, é membro do painel de assessores do Pnud para o Informe sobre Desenvolvimento Humano e diretora da Jubilee Research na New Economics Foundation)

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