Regional

CR é mais humano, argumenta Zago

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - O vereador Antenor Zago (PDT), autor da emenda que permite a instalação do Centro de Ressocialização (CR) em Jaú e um dos mais entusiasmados com a obra, acredita que a principal vantagem desse novo sistema prisional está no trabalho mais “humano” desenvolvido com os presos.

“O CR é uma forma de recolher sem humilhar e de guardar sem encarcerar aquelas pessoas que delinqüiram de forma leve”, ressaltou o vereador. O local não tem cela e os presos desenvolvem diversas atividades produtivas e educacionais.

Dentro da filosofia adotada pelo governo, Zago acredita que o CR é o mais “avançado” sistema prisional do Estado de São Paulo.

Na opinião dele, o sistema adotado atualmente em Jaú está falido faz décadas. â€œÉ uma herança da Idade Média”, afirmou.

Além de superlotada - com 120 presos, quando o normal seria ter apenas 40 -, a cadeia pública de Jaú abriga presos de alta, média e baixa periculosidade, segundo informou o vereador. Esse contato com bandidos perigosos, na opinião dele, prejudica a recuperação dos detentos menos agressivos.

Zago ressaltou ainda o fato da cadeia estar hoje entre duas escolas - uma de ensino médio e outra de ensino fundamental -, a Santa Casa e um parque infantil. “Se ocorre uma rebelião ali, é muito difícil prever as consequências”, declarou ele.

Outra vantagem apontada pelo vereador refere-se ao fato da população carcerária do futuro CR ser composta apenas por presos de Jaú e de cidades da região.

Quanto ao abaixo-assinado que está correndo a cidade, contra a construção do CR, Zago classifica-a como uma medida tardia e demagógica.

Segundo ele, legalmente o Estado é mais poderoso do que o município. Por isso, a lei que proíbe a construção de unidades prisionais no município seria inócua. “Ela proíbe uma coisa que não pode proibir”, analisou o vereador, que fez uma comparação com a situação vivida em Bauru, onde o governo do Estado planeja construir um presídio de segurança máxima.

“Em Bauru, o governo quer construir um novo presídio. A Câmara vai espernear, vai gritar, mas se o Estado não quiser ouvir ele constrói e acabou”, comentou Zago.

A instalação de um CR em Jaú encontra apoio também no delegado Benedito Antônio Valencise, chefe da Delegacia Seccional de Polícia.

De acordo com ele, a Polícia Civil vai sair favorecida com a obra. Com o CR, a cadeia pública deve ser desativada e isso vai fazer com que haja um aumento no quadro de funcionários da seccional.

“Hoje, nós temos carcereiros e policiais para escolta de presos. Com o CR, eles irão desenvolver as funções de investigação e de polícia judiciária”, adiantou o delegado.

Depois que a cadeia for desativada, a pretensão de Valencise é transferir a Delegacia de Investigação Sobre Entorpecente (Dise) para o local. O plantão policial também deve ser deslocado para o mesmo prédio.

Na opinião de Valencise, cada comunidade tem que assumir seus problemas. Segundo ele, existe hoje cerca de 500 presos de Jaú espalhados pelas cadeias da região.

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