Bairros

Cidade é carente de quadras esportivas

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Outro equipamento de lazer que é restrito e sofre com a falta de manutenção em Bauru são as quadras esportivas. De acordo com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel), há seis espaços como esses na cidade, mas nem todos estão constantemente abertos à população. “A cidade é carente nesse sentido. Pela dimensão da sua população, deveria ter mais áreas públicas para a prática de esportes”, frisa José Roberto Franco, o Sapé, titular da pasta.

Para ilustrar a sua afirmação, ele faz uma comparação: “enquanto Osvaldo Cruz, que tem apenas 40 mil habitantes, dispõe de oito quadras esportivas, Bauru, com seus 315 mil habitantes, tem só seis”, destaca.

De acordo com ele, a responsabilidade por esse problema não é só da prefeitura municipal. “Essas estruturas deviam ser providenciadas pelo Estado, mas faz tempo que não há investimentos desse tipo na cidade”, ressalta Sapé.

Ele acredita que a cidade deveria ter pelo menos 30 espaços esportivos comunitários na cidade.

Outro problema detectado pelo secretário é o vandalismo. Assim como ocorre com os parques infantis, as quadras acabam sofrendo com a ação de pessoas que não estão muito interessadas em zelar pelo bem comum. “Acho que precisamos fazer um trabalho de conscientização junto à população, para que as quadras e ginásios sejam conservados”, salienta.

A quadra poliesportiva localizada no Parque Santa Terezinha, por exemplo, entregue à população há cerca de dez anos, está em péssimo estado de conservação. O alambrado foi arrancado, as tabelas de basquete estão sem os cestos e com buracos, o piso não oferece condições de uso e as traves estão soltas. “Raramente aparece alguém da prefeitura aqui para cuidar do local”, destaca a comerciante Cícera Aleixo, moradora do bairro.

De acordo com ela, recentemente funcionários da administração municipal estiveram no local e cortaram o mato que estava tomando conta da quadra. “Eles capinaram e amontoaram o mato na quadra. Foram os moradores que colocaram fogo para limpar o local”, conta.

Cícera explica que, mesmo estando sem manutenção há muitos anos, a quadra vive cheia de moradores. “Crianças e adultos utilizam muito o espaço, já que essa é a única área de lazer do bairro”, destaca.

Apesar de reclamar da falta de atenção da prefeitura, a moradora afirma que parte da responsabilidade é dos próprios usuários. “Tem muita gente que usa e depois quebra, não cuida do que tem. Se não conservar, não adianta consertar”, salienta.

Geisel

Cercada e dentro do Bosque Comunitário, a quadra poliesportiva do Núcleo Geisel está com um aspecto bem mais apresentável. No entanto, os usuários dizem que ainda falta mais atenção por parte do Poder Público.

Um grupo de meninos que jogava basquete no local destacou que os moradores do bairro é que se uniram para manter o espaço bem conservado. “Nós mesmos que pintamos o piso da quadra para podermos jogar”, conta o vendedor Samuel da Silva.

Ele diz que freqüenta o espaço praticamente todos os dias e que sente falta de mais estrutura. “Nós não temos material para praticar esportes. Só dá para jogar basquete e futebol, pois não há rede de vôlei”, conta.

Já o estudante Michel Robert Forato reclama que não dá para freqüentar o local à noite. “Tem refletores, mas eles não funcionam”, destaca.

Ele acredita que o espaço é de fundamental importância para os moradores do bairro, que não têm muitas opções de lazer. â€œÉ aqui que a gente passa o tempo e aproveita para ficar com amigos. Pelo menos não estamos na rua, à toa”, esclarece.

Para o secretário municipal de Esporte e Lazer, José Roberto Franco, o Sapé, nem sempre manter um caseiro nas quadras é suficiente para espantar os vândalos. “Muitas vezes, o caseiro tem receio de agir, temendo represálias”, afirma.

Para ele, o ideal é colocar guardas municipais para tomar conta dos espaços, garantindo a segurança da área. “Tem que haver uma ronda nesses locais para evitar que as pessoas destruam o que é delas”, destaca.

Para ele, o problema é de cunho social e criminal e não há como resolvê-lo apenas com a manutenção das quadras. “Só para exemplificar, nós entregamos o estádio do Núcleo Mary Dota em um mês e, menos de 30 dias depois, o vestiário já estava destruído e depredado”, conta.

Comentários

Comentários