Política

Sol forte e filas castigam os eleitores

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Boa parte dos mais de 200 mil eleitores bauruenses levantou cedo para votar ontem. Entretanto, a maioria também foi surpreendida por filas longas e demora para chegar a sua vez de votar na seção eleitoral. Desprevenidos, os eleitores foram castigados pelo sol forte.

Muitos eleitores chegaram aos colégios eleitores antes mesmo das 8h. Mas os locais de votação começaram a ficar repletos de gente logo após às 8h, assim que o processo foi aberto.

Às 8h, eleitores também esperavam o transporte coletivo em diferentes pontos da cidade. A escola Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, teve a maior fila dos colégios eleitorais pela manhã na cidade e, talvez, a do dia todo.

Centenas de pessoas formaram um cordão humano que “abraçava” todo o quarteirão onde está instalado a escola. Logo às 8h05 perdia-se de vista o fim da fila, que drobrava a quadra.

Também pela manhã, a Justiça Eleitoral verificou que muitos pais levaram seus filhos para os locais de votação com o intuito de “furar” a fila justificando para isso estarem com crianças de colo. O juiz da 23.ª zona eleitoral, Horácio Furquim Guanaes, identificou o problema e passou a orientar os presidentes de seção.

A partir de então, os presidentes de seção passaram a não dar prioridade a pais com crianças, a não ser aqueles com filhos realmente pequenos, casos onde se verificava a impossibilidade deles permanecerem em casa.

Quem acordou cedo no Parque Jaraguá não teve muita sorte. A ausência de “cola” com o número dos candidatos - apesar da orientação feita durante todo o período - prejudicou a votação.

Muitos eleitores levaram cerca de cinco minutos para conseguir digitar os números nas urnas eletrônicas. Mas, em média, os bem orientados votaram em um minuto.

A extensa fila da escola Ayrton Busch fez muitos eleitores desistirem para voltar mais tarde para votar. Não foi o caso de Maria José da Silva, de Duartina. Ela enfrentou a fila e o calor forte sem ter preenchido a justificativa eleitoral com antecedência.

O problema é que Maria, para justificar, enfrentou fila única junto com os demais eleitores que iriam votar. O problema foi detectado em outros locais de votação.

Até a eleição municipal de 2000, a justificativa era feita na agência central dos Correios. A presença de vários funcionários tornava o procedimento bastante ágil.

“Eu moro no Parque Jaraguá há 11 anos e costumo ir a Duartina votar, mas hoje não foi possível. Eu pretendo transferir o título para Bauru na próxima eleição. Não esperava uma fila tão grande para justificar. Nos Correios era bem mais fácil”, comentou Maria.

A eleitora, assim como muitos outros, não sabia que a justificativa podia ser feita em qualquer colégio eleitoral da cidade. Sidney Valentim também ficou surpreso com a fila na Ayrton Busch. “Eu voto no bairro faz tempo e nunca vi uma fila como essa. E o calor também está muito forte, o que está prejudicando bastante. Acho que muita gente transferiu o título para o bairro ou veio morar aqui porque não tinha tanto eleitor aqui”, citou.

Segundo os funcionários da Justiça Eleitoral presentes na escola, o colégio tinha apenas quatro seções até o ano 2000. Neste ano foram instaladas oito seções. Ainda assim, não foi possível evitar filas tão longas. Só a Ayrton Busch recebeu cerca de 4.200 eleitores ontem.

“Muitos eleitores vieram desprevenidos, inclusive para justificar. A falta de formulário ou o documento em branco prejudicou”, avaliou o presidente de uma das seções do colégio, Renato Tadeu Teodoro.

Contraste

Ao contrário do Parque Jaraguá, os eleitores da zona sul da cidade não tiveram muitos problemas com o sol forte para votar. Quem compareceu à escola Christino Cabral, no Jardim Estoril, encontrou um clima agradável.

A arborização do bairro contribuiu para que muita gente batesse papo em boas sombras antes ou depois de votar. Às 8h45 o colégio apresentava uma fila pequena e muita gente passando em frente ao local para escolher o melhor momento para votar.

Apenas na parte interna da escola formou-se fila. A justificativa eleitoral foi, acertadamente, colocada em local separado das seções, o que também facilitou a vida de quem estava fora de seu domicílio eleitoral. A Christino Cabral contou com nove seções e 5.952 eleitores.

Outra escola onde formou-se uma fila considerável foi a Antonio Serralvo Sobrinho, na Vila Popular Ipiranga. Desde às 7h, centenas de pessoas já se acumulavam em frente ao local. Cerca de 1.000 pessoas procuraram a escola logo na primeira hora disponível para o voto.

A escola Mercedes Paes Bueno, no Jardim Higienópolis, também teve problemas de acesso dos eleitores. Uma fila única estrangulava na entrada do portão principal. Algumas pessoas sofreram mau estar devido ao forte calor, mas não foi registrado nenhum caso grave.

No Núcleo Mary Dota também havia fila pela manhã. Poucas pessoas levaram guarda-chuva para proteger-se do sol forte. Alguns eleitores foram à escola de bicicleta.

No Núcleo Beija-Flor a fila esteve extensa durante quase toda a manhã e na escola Joaquim Madureira, no Parque Vista Alegre, as pessoas tiveram grande dificuldade de acesso às seções e para permanecer no pátio da escola.

Para o sindicalista Jesus Garcia, fiscal do Partido dos Trabalhadores (PT) na escola, a presença de apenas uma urna por seção colaborou muito para a formação das filas e para a demora na votação. Muitas pessoas esperaram mais de uma hora e meia para conseguir votar no bairro.

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